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Movimento nacional mobiliza famílias e educadores contra o bullying - Belo Horizonte Observatory for Urban Health

Movimento nacional mobiliza famílias e educadores contra o bullying

Matéria publicada no Portal Estado de Minas

Nos dois últimos dias, educadores e especialistas se reuniram em Belo Horizonte para palestras e lançamento do Movimento Anti Bullying Brasil

Os sons da viola clássica de Joice Rafaela Coutinho, de 16 anos, entre os 24 músicos da Orquestra Jovem V&M do Brasil, dão charme à delicadeza do assunto, tema do I Fórum de Educação do Instituto Hartmann Regueira. Em pauta, “Bullying – escola, família e sociedade: responsabilidades e soluções”. Nos dois últimos dias, educadores e especialistas se reuniram em Belo Horizonte para palestras e lançamento do Movimento Anti Bullying Brasil. “A família brasileira está muito mal informada. Se nós, diretores de escola, não estamos preparados, imagine a família? Daí, a importância do encontro”, diz Valdete Alves Vieira Nascimento, de 43 anos, da Escola Estadual Guadalajara, de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Entre os cerca de 1,2 mil inscritos, a diretora considera o fórum um reforço para a postura do educador, ainda perdido diante do problema. “A escola tem a obrigação de buscar conhecimento para aprimorar ações e monitorar seus alunos”, diz. “Quem acha a educação cara, desconhece o custo da ignorância”, ressalta Elaine de Aguilar Santos, de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. Responsável por 510 alunos das séries iniciais da Escola Frei Antelmo Kropman, a pedagoga, fala da importância de parceria com todos os organismos públicos pelo futuro dos jovens. “O bullying pode provocar o estrago de uma vida como um todo. Por meio da educação, podemos mudar isso e fazer valer as políticas públicas voltadas para as crianças”, diz.

Para Cecília Regueira, diretora executiva do Instituto Hartmann Regueira, é preciso buscar informação e tirar o foco da palavra bullying. “Nós precisamos fazer a distinção. Nem tudo é bullying. Essa banalização da palavra enfraquece a gravidade do que, de fato, ela significa”. A gestora chama a atenção para o risco de ignorância também contra o agressor, enquadrado equivocadamente. Para Cecília, é preciso trabalhar o agressor como vítima da sociedade. “Não pode haver exclusão. Se o indivíduo for tratado simplesmente como um agente da violência, se não receber ajuda, torna-se um excluído. Essa escuta precisa ser trabalhada com os professores”, explica. Na avaliação da especialista em terapia sistêmica, um bom sinal: os professores estão em busca de orientação.

“Os professores sabem que precisam de orientação. A escola culpa a família e a família culpa a escola. Isso não pode continuar. Nós temos que assumir esses cuidados”, ressalta Cecília. Na avaliação dos organizadores, o objetivo de ampliar a discussão e o intercâmbio entre orientadores e gestores da educação foi alcançado. Vindos de várias partes do Brasil – especialmente de equipamentos públicos de regiões de maior vulnerabilidade –, se juntaram a promotores, psicólogos e estudiosos na luta contra o bullying. Recente pesquisa feita pelo Observatório de Saúde Urbana da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apontou que um em cada quatro jovens de Belo Horizonte já sofreu bullying.

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