Alterações nos padrões comportamentais da criança, que ocorre entre os 2 e 6 anos, no período escolar, são chamados de distúrbios de comportamentos.

Insegurança, medo e até o sentimento de estar mais protegido em casa faz com que a criança fique resistente à volta ou início da vida escolar.

Existem alguns problemas que, sem exageros, devem ser observados e acompanhados pelos pais ou cuidadores das crianças pequenas, o que pode garantir uma melhor qualidade de vida aos menores.

Um deles, a ansiedade de separação, por exemplo, é normal em crianças com até 6 anos de idade. Talvez esta seja uma das principais causas de estresse e tristeza para que algumas crianças se sintam a vontade para largar o conforto da presença materna e iniciar a frequentar a escola ou voltar às aulas, depois das férias.

A “birra” é um outro exemplo clássico. Espernear os pés, sacudir os braços e gritar, são as principais características desse comportamento, digamos, “desesperador”.

Segundo o pediatra e professor da Faculdade de Medicina da UFMG Antônio Benedito Lombardi, há razões para isso, mas muitas pessoas não sabem como lidar com eles. “Nenhuma criança faz birra à toa. Essa é uma forma de expressar e reagir a alguma coisa desfavorável, que está acontecendo com ela”, alerta. Por este motivo, os pais devem ser capazes de interpretarem o que a criança quer dizer agindo dessa forma.

Ele cita casos de crianças que não podem brincar ou são privadas de alguma atividade comum para a sua idade. “Ela pode se manifestar através da birra. O que é um fator positivo nesses casos. Muitas vezes quem tem razão é a criança”, afirma o pediatra.

Punição pode anular educação

A “palmadinha”, na opinião do especialista, por mais ‘inocente’ que seja, é uma maneira injusta de corrigir os erros da criança. A correria dos adultos e a falta de um conhecimento na hora de abordar algumas situações dentro de casa fazem com que os pais resolvam com maneiras mais práticas, como a punição. Anulando a oportunidade de educar e ajudar seus filhos a construírem questões do dia-a-dia.

Mas não é sempre que esses problemas ou distúrbios têm início no ambiente familiar. A escola também pode ser um dos fatores que predispõem a criança à “fobia escolar”, um outro comportamento que tem como característica o medo de ir à escola.

Esse medo pode ser, dentre outras causas, um reflexo do bullying, palavra em inglês que se refere a atos repetidos de violência contra pessoas incapazes de se defender (+). Algo que acontece no ambiente escolar e que dependendo de como a criança lida com ele pode levá-la a não ter vontade de freqüentar as aulas.

Existe também a recusa escolar, que é o contrário da fobia. Nesse caso, a criança que ainda tem dificuldade de deixar o ambiente familiar pode chegar a um tal estado de  ansiedade que a leva a sentir dores, suor excessivo, a chorar e a apresentar comportamento agressivo, principal característica desse distúrbio.

Mundo da fantasia

Durante essa fase a criança vive também um momento de fantasia. Afinal, seu pensamento ainda está incompleto, mais fantasioso e ilusório. Nesse período a criança está em desenvolvimento e seu pensamento em construção. Desta forma ela vai assimilando e mudando seu comportamento com o tempo.

Os pais devem se preocupar quando esses pensamentos interferirem negativamente nas atividades do dia-a-dia da criança. “Se ela deixar de brincar ou até mesmo de dormir, por causa desses pensamentos mágicos, causando medo e ansiedade, devem ser acompanhadas por um especialista”, alerta Lombardi, salientando que, nesse caso, a facilidade de aprender pode ser afetada.

E aí, pode ocorreu um distúrbio mais importante, o da aprendizagem. As funções psíquicas que podem afetar a cognição de uma criança: memória, linguagem, coordenação motora e até os órgãos sensoriais, como fala, audição, e outros.

Para identificar uma criança com dificuldade de aprendizagem é necessário se ater aos sintomas: irritação, fobia à escola, choro constante e até agressividade.

“O importante é livrar as crianças com essas dificuldades de qualquer tipo de rótulo. E, se for o caso, oferecer a elas tratamento de qualidade e muita atenção e carinho”, orienta o professor, entrevistado do programa Saúde com Ciência da série “Comportamento de Crianças Pequenas”, onde ele dá mais algumas dicas.

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