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Vitiligo pode ser associado ao sistema imunológico


Publicado em: ExternasSaúde - 10 de dezembro de 2014

Reprodução: Sociedade Brasileira de Dermatologia

O vitiligo atinge cerca de 2,9 milhões de brasileiros e, mesmo acontecendo mais em adultos, pode acometer de crianças a idosos. É caracterizado por uma modificação da cor normal da pele, devido a uma perda gradativa ou súbita de sua pigmentação. O aparecimento de manchas brancas nos locais afetados acontece pela destruição dos melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, o pigmento que dá cor à pele e protege-a dos raios UV.

Não há total certeza de sua causa. Em artigo publicado na revista científica “Nature Genetics”, em 2010, pesquisadores da universidade da Flórida e do Colorado, nos Estados Unidos, apresentaram evidências de que a doença está associada a genes que regulam o sistema imunológico. Foram encontradas variações em dez genes diferentes, responsáveis por fazer que o sistema de defesa do organismo destrua os melanócitos.

“É como se fosse uma inflamação que se manifesta na pele, atingindo um tipo especifico de célula, responsável pela produção da melanina. Essa inflamação leva à destruição da célula e ao aparecimento da mancha. Onde há essa mancha, o pelo também se torna branco”, explica o professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG e dermatologista, Marcelo Grossi Araújo. “Sabemos também que existe uma predisposição genética para a dermatose, com ocorrência familiar em 20% a 30% dos casos”.

O vitiligo não é uma doença contagiosa, mas existem outras doenças, infecciosas e por vezes contagiosas, que tem manchas parecidas com a dermatose. Por isso é importante procurar avaliação médica, para que o diagnóstico clínico possa ser feito de forma correta. Além disso, os pacientes têm uma frequência maior de comprometimento da glândula tireóide e aumento da incidência de diabetes.

Atualmente, a doença não tem nenhum tratamento definitivo. Uma técnica testada com sucesso em camundongos nas Universidades de Massachusetts, nos EUA, e da Colúmbia Britânica, no Canadá, e divulgada recentemente na revista científica “Science Translational Medicine”, representa mais um avanço em busca do método. Os estudiosos identificaram que tanto humanos quanto camundongos com vitiligo apresentavam quantidades elevadas de uma molécula, que “ajuda” às células do sistema imunológico a encontrar e destruir os melanócitos, e aplicaram anticorpos capazes de bloqueá-la. O tratamento interrompeu o desenvolvimento do problema e fez regredir as manchas brancas já existentes.

O primeiro objetivo do tratamento é re-pigmentar as manchas, por meio de substâncias locais ou medicamentos por via oral, que vão sensibilizar a pele à radiação ultravioleta (radiação do sol ou lâmpadas) e estimular a produção de melanina. Em um segundo momento, busca- se reduzir o processo de inflamação à base de luz ultravioleta, que tem um efeito anti-inflamatório, ou por drogas anti- inflamatórias de uso local, como corticóides e imunomoduladores (substâncias que atuam no sistema imunológico). Quando o processo afeta mais de 50% do corpo, a opção de tratamento pode ser a despigmentação total da pele.

A resposta à terapia é muito variável: depende do individuo e do tipo de vitiligo. O emocional também pode interferir, então é sempre importante dar esse suporte ao indivíduo, afirma Marcelo Grossi. “Em muitas das doenças com origem imunológica, o fator emocional pode ser um desencadeante ou um facilitador da instalação do processo. Tem-se que avaliar o impacto psicológico da doença em alguns indivíduos, porque um desequilíbrio pode até mesmo aumentar as manchas”.

Não há como prevenir as lesões de vitiligo ou a progressão da doença e, habitualmente, não existem sintomas. Porém, os pacientes devem ter um cuidado maior com o sol, já que a pele fica mais sensível devido a perda de sua proteção natural, a melanina. Além disso, uma exposição exagerada à luz solar, ou uma queimadura de sol, pode ser um fator desencadeante.

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