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Violência na contemporaneidade será discutida em Congresso de Saúde


Publicado em: CongressoExternas - 7 de junho de 2017

 Eixo vai abordar temas como genocídios de jovens negros, a fragilidade do acolhimento de idosos e segregação de usuários de drogas, prostitutas e travestis.

Ives Teixeira Souza*

Narrar vidas invisíveis e mortes que não são contadas, nem como história, nem como número, e ver quem que não ousa entrar no território da Saúde, por exclusão prévia e velada, são objetivos das mesas-redondas que fazem parte do eixo “Violência na Sociedade Contemporânea”, do 4º Congresso Nacional de Saúde, que acontece entre os dias 28 e 30 de agosto, na Faculdade de Medicina da UFMG.

As mesas terão como temas a promoção de saúde para mulheres, idosos, usuários de drogas e pessoas em situação de rua, e também vão discutir sobre a juventude em seus diferentes aspectos, como o modo pelo qual os adolescentes são tratados no sistema de saúde e o genocídio de jovens negros.

Ao propor enxergar aqueles que quase não são vistos dentro do sistema de saúde, como o genocídio de jovens negros que, em muitos casos, já chegam mortos ao hospitais, o eixo tenta se aprofundar na percepção das violências que atravessam o cotidiano de forma rotineira, além de buscar meios para viabilizar a construção de novas realidades.

 

Foto: Reprodução – Agência Brasil

Racismo e violência
“Admitir que algumas vidas podem ser negligenciadas é realçar as precariedades dessas vidas”, alerta a pediatra e mestre em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência, Rejane Reis, uma das convidadas para a mesa sobre juventude. A médica vai apresentar dados de sua pesquisa sobre o genocídio de jovens negros em Belo Horizonte.

“O racismo mata. E não se trata de mal entendido”, afirma a pediatra, que relata o fato de grande parte das vítimas de homicídio não frequentarem escolas, um dos fatores que demonstram a desigualdade social. “A mortalidade na adolescência seria a segunda forma de seleção social e racial, porque a primeira é a mortalidade infantil”, completa.

Desse modo, para Rejane, o contato da atenção primária com os adolescentes é fundamental. “É preciso que eles sejam vistos na sua adolescência, além dos protocolos clínicos. Nesse processo, por exemplo, o papel da saúde é também social”, explica.

Saúde e violência na juventude
Para uma das coordenadoras do eixo e professora do Departamento de Pediatria, Cristiane Freitas Cunha, o evento potencializa a ação conjunta de diversos profissionais da área, além de ser uma oportunidade para que os estudantes de Medicina se desvencilhem de antigos conceitos. “É necessário transformar essa atual cultura, e repensar o que fazemos por esse jovem”, propõe a professora.

Entre os participantes das mesas, haverá a participação do psiquiatra francês e membro da Associação Mundial de Psicanálise, Philippe Lacadée, que também esteve na edição anterior do evento. De acordo com Cristiane, o professor é um dos mais importantes psicanalistas no campo da clínica com adolescentes na atualidade.

Congresso Nacional de Saúde
A 4ª edição do Congresso será realizada do dia 28 a 30 de agosto de 2017, na Faculdade de Medicina da UFMG, com o tema “Promoção da Saúde: Interfaces, Impasses e Perspectivas”. As inscrições para submissão de trabalhos e participação como ouvintes podem ser feitas com desconto até o dia 3 de julho.

O Congresso Nacional de Saúde é direcionado a um público multidisciplinar, composto de profissionais de diversas áreas da Saúde e correlatas, tanto do setor público quanto do setor privado, em especial professores, técnicos e estudantes, bem como agentes da saúde.

O 4º Congresso Nacional da Saúde integra ainda a programação das comemorações dos 90 anos da UFMG, celebrados em 2017.

Mais informações e inscrições na página do 4º Congresso Nacional de Saúde.

*Redação: Ives Teixeira Souza – estagiário de jornalismo

Edição: Mariana Pires

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