Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Novas tecnologias abrem portas para tratamento psicológico não medicamentoso

Óculo de realidade 3D podem ajudar no combate a fobias como a de altura. Foto: clarin.com

Óculos de realidade 3D podem ajudar no combate às fobias, como a de altura. Foto: clarin.com

Os videogames, ao longo das últimas décadas, consolidaram-se como uma opção de entretenimento e lazer para milhões de pessoas, tornando-se parte do cotidiano do ser humano. Contudo, os aparelhos agora estão sendo utilizados para um novo propósito: uma forma alternativa de tratamento terapêutico. Segundo o professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Maurício Viotti Daker, novas tecnologias trazem facilidade e praticidade ao tratamento.

“Por meio da realidade virtual tridimensional proporcionada por aparelhos modernos, é possível, por exemplo, que a pessoa se acostume com a altura do primeiro andar de um prédio”, afirma Viotti. “Isso é muito mais prático do que ter que sair do consultório e ir com o paciente a uma torre e subir os andares várias vezes”, explica.

Na psicoterapia, por exemplo, há o uso de tecnologias conhecidas por óculos de realidade virtual, como o Oculus Rift. O dispositivo, composto por um sensor de movimento e uma tela de LCD embutida, cria um ambiente imersivo em 3D que se move de acordo com o movimento de cabeça do usuário. Para Viotti, essa ferramenta é uma nova possibilidade de tratamento não medicamentoso, que pode ser utilizado, por exemplo, no combate às fobias, como a de altura.

Para além da diversão

Viotti comenta que alguns tipos de transtorno de ansiedade, como fobias específicas, não respondem bem a medicação, por isso a realidade virtual pode ajudar na abordagem psicoterapêutica do paciente, dessensibilizando-o de seu medo. Contudo, o ele destaca a necessidade do tratamento ser realizado com o devido acompanhamento profissional. “O uso de videogames com o objetivo terapêutico sem acompanhamento por profissional habilitado não me parece adequado. Poderia ser contraproducente, ou seja, acirrar o medo patológico”, ressalta.

A expectativa é que, com mais pesquisas e estudos na área, a realidade virtual e os jogos eletrônicos também sejam utilizados no futuro para o tratamento de outros distúrbios psicológicos. “Talvez, alguns pacientes com dificuldade de socialização como psicóticos crônicos possam, em um estágio inicial, terem mais facilidade de interação por meio virtual”, conta Daker. O terapeuta estabeleceria metas para o paciente no ambiente virtual, podendo ocasionar a elevação de sua autoestima, além de colocá-lo em ação e combater a tendência à inércia nesse transtorno.

Controle de ansiedade

Outra possibilidade de tratamento que os videogames permitem no campo psicológico é em relação aos níveis de ansiedade. É o que sugere os resultados obtidos na tese de doutorado, desenvolvida pela cientista da computação e professora da Escola de Belas Artes da UFMG, Rosilane Ribeiro da Mota, a qual analisou sinais do jogador relacionados com ansiedade.

O estudo consistiu na criação de um ambiente de jogo de tiro controlado em primeira pessoa, com mudanças constantes nos elementos dos personagens, cenário e do som. Com um período de interação de quinze minutos, foi observado a reação dos jogadores tendo o jogo como estímulo visual. “Dentre os resultados obtidos, destaco o fato das medições da atividade não terem sugerido alterações de ansiedade em pessoas que se classificavam como não adeptas desse tipo de jogo”, pontua Rosilane. “Para os que estavam acostumados, a ansiedade era reduzida após 15 minutos jogando”, completa.

Apesar dos resultados, a professora pondera que os jogos são apenas uma simulação e sua utilização no tratamento de outros distúrbios psicológicos deve acontecer em um contexto desejado. “Para isso, é necessário um trabalho de uma equipe multidisciplinar para a proposição de seu roteiro e balanceamento de dificuldades”, conclui.

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