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Verão em boa forma


22 de dezembro de 2010


Deixar de comer é um erro comum e bastante perigoso

Não tem chuva, excesso de contas ou falta de tempo que possa tirar a disposição de quem está obstinado a entrar no ano novo em boa forma –  ou, pelo menos, sem aqueles “dois quilinhos” que tanto pesam na balança.

A má notícia para esses ‘atletas de verão’, a maioria já sabe: fazem parte da ficção as dietas ou exercícios físicos que parecem esculpir num corpo sedentário uma silhueta semelhante a das pessoas que se dedicam a uma vida saudável durante todos os meses do ano.

Mas é possível alcançar alguns resultados positivos, de forma gradual e adequada a cada individuo, em curto prazo.

“Depende do estado inicial da pessoa. Se ela está muito fora de forma, vai precisar de mais tempo. Mas é possível, às vezes em um mês ou dois, perder poucos quilos. Vai depender de cada um”,  afirma Gustavo Sena Sousa, educador físico, supervisor técnico do Laboratório do Movimento da UFMG e doutorando em Ciências da Saúde, na Faculdade de Medicina da UFMG.

O aconselhável, segundo Gustavo Sena, é procurar um profissional, que, depois de uma avaliação, vai poder indicar o programa físico adequado para cada pessoa. Outra opção, mais econômica e indicada para a correria de fim de ano, é fazer da rotina uma academia de ginástica.

“É possível se exercitar em casa, no trabalho, como meio de transporte e nos tempo de lazer. Se você pega dois ônibus, por exemplo, e abre mão de um para andar de pé, está fazendo atividade física. Se precisa ir ao quarto andar de um prédio, vá de escada”, recomenda o professor.

Promessa perigosa

Aquela receita dos tempos da vovó para emagrecer rapidamente ou o famoso “fechar a boca” podem oferecer sérios riscos à saúde.

Para perder peso de forma saudável, a professora Anelise Impelizieri Nogueira – endocrinologista e chefe do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG,  é categórica: é preciso uma dieta balanceada.

“Se você passa semana vivendo de alfaces, pode ter certeza que vai perder peso. Mas a pessoa não deixa de ter a gordura. O que acontece, na maioria dos casos, é engordar ainda mais depois. Paga-se um preço muito alto”, afirma. Segundo a professora, o organismo tem uma espécie de memória. Vive-se em economia de guerra por um tempo, depois desse período, vai continuar “cobrando” muito por alimentos.

Quando o problema com a balança vai além de uma preocupação estética, o ideal é procurar um especialista. Nos outros casos, procurar informações em sites e revistas especializados pode ser uma boa opção. “É claro que isso deve ser feito com bastante critério. Mas temos bons sites com informações sobre peso e vida saudável, como o da Sociedade Brasileira de Diabetes e também o da Endocrinologia”, afirma.

Moderação também é o alerta dos educadores físicos. “O corpo emite sinais como insônia, falta de apetite quando há excesso. A pessoa poder perder massa magra, que é, justamente, aquela que devemos manter”, frisa Gustavo Sena. O abuso na prática de exercícios, porém, é uma exceção. “O mais comum é o sedentarismo. Esse sim é um grande problema de saúde pública”, decreta. Que o puxão de orelha valha para o próximo ano.