Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Projeto de Lei está em tramitação no Congresso e, caso seja aprovado, o governo irá disponibilizar a vacina para meninas entre 9 e 13 anos.

Uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) mais comuns no mundo. De acordo com dados do Ministério da Saúde,  em cada cinco mulheres, uma é portadora de algum tipo do vírus HPV, o papilomavírus humano. Hoje, existem mais de cem tipos do vírus registrados.

Apesar de ser assintomático na maioria dos casos, o HPV é transmitido por meio do sexo, inclusive o oral, mas também pode acontecer da mãe transmiti-lo para o filho durante o parto. A infectologista e professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Gláucia Queiroz, afirma que alguns tipos desses papilomavírus são relacionados ao câncer de colo uterino e dois deles, que são os mais comuns, estão incluídos na vacina, que também é encontrada em laboratórios particulares.

Ilustração: Carina Cardoso

“Se você adiciona esses dois vírus que já estão disponíveis na vacina bivalente pra tetravalente, com quatro sorotipos, além de diminuir a ocorrência do câncer de colo de útero, ainda é possível se proteger contra as verrugas genitais, tanto em homens como em mulheres”, indica.

Mesmo com a possibilidade de aparecimento dessas verrugas, as alterações físicas causadas pelo vírus também podem ser discretas. Em relação aos benefícios da nova tecnologia, a infectologista não hesita: “É uma vacina que, sem dúvida, irá contribuir para a diminuição do câncer na mulher.”

Com o Projeto de Lei tramitando no Congresso e, desta forma, previsão de incorporação da tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2014, dois estados brasileiros já se adiantaram. O Distrito Federal disponibiliza a vacina nas redes públicas e privadas de ensino, para meninas entre 11 e 13 anos. Já o Amazonas também irá ofertar a vacina gratuitamente, em breve, mas ainda passa pelo processo de aquisição das doses.

“Como o objetivo é impedir a infecção por esse tipo de vírus e como essa infecção é adquirida pelo contato sexual, é importante a vacinação antes do início da atividade sexual, ou seja, no começo da adolescência”, aconselha Gláucia Queiroz.

O uso da camisinha é a melhor forma de prevenção contra o HPV e contra todas as outras DST’s. Vale lembrar ainda que, caso um indivíduo seja diagnosticado com a doença, ele deve avisar o seu parceiro, já que ambos podem precisar de tratamento.

Por fim, a professora acrescenta que, mesmo com a vacinação, as mulheres não estão dispensadas do controle ginecológico regular. Sendo assim, é recomendável a realização do exame Papanicolau, que detecta alterações precoces no colo do útero.

Tema da semana

Na série Vacinação, especialistas discutem novas tecnologias que poderão ser disponibilizadas pelo SUS, vacinas que crianças, adultos e idosos devem tomar e o cenário de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, entre outros assuntos. Confira a programação:

A vacina no Brasil – segunda-feira (06/05/2013)

Calendário Básico de Vacinação da Criança – terça-feira (07/05/2013)

HPV (Papilomavírus Humano) – quarta-feira (08/05/2013)

Vacinação no adulto e em grupos de risco – quinta-feira (09/05/2013)

Pesquisa e desenvolvimento de vacinas – sexta-feira (10/05/2013)

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. De segunda a sexta-feira, às 5h, 8h ou 18h03, ouça o programa na rádio UFMG Educativa, 104,5 fm. Ele ainda é veiculado em 29 emissoras de rádio em Minas Gerais. Também é possível conferir as edições pelo site do Saúde com Ciência.

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