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Uso excessivo de smartphone pode causar dependência


Publicado em: ExternasRádio - 2 de fevereiro de 2018

Algumas pessoas apresentam sintomas de abstinência na ausência do aparelho. Saiba mais na nova série do Saúde com Ciência

Warlen Valadares*

O smartphone e seus aplicativos de mensagem, redes sociais, câmera fotográfica e jogos, tornou-se um equipamento indispensável na vida de muitas pessoas. Quando ficam longe do aparelho, elas sentem angústia, irritação e ansiedade. Em alguns casos, o uso em excesso pode prejudicar relacionamentos sociais, o lazer e o desempenho no trabalho e nos estudos. O indivíduo deixa de realizar tarefas antes importantes do seu dia a dia e sua capacidade de concentração é reduzida.

Embora ainda não tenha sido incluída nos manuais médicos, estudos comprovam que a dependência de smartphone provoca mudanças comportamentais e está, em muitos casos, associada a quadros de depressão, ansiedade, insegurança e solidão. Segundo a professora do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Júlia Khoury, essa dependência pode reforçar os quadros citados, tornando a pessoa cada vez mais ansiosa e deprimida.

Em 2017, pesquisa do Centro Regional de Referência em Drogas da UFMG identificou que mulheres e jovens entre 18 e 35 anos estão mais predispostos a desenvolver a dependência, principalmente pelo uso abusivo das redes sociais. Os dados foram obtidos por meio de um questionário, composto por 26 tópicos e respondido por 415 estudantes da universidade. A resposta “sim” a sete ou mais itens indicava maior propensão à pessoa se tornar dependente do smartphone.

Conferir constantemente o feed do Facebook e as mensagens do WhatsApp pode ser um sinal de alerta. Algumas pessoas desenvolvem esse hábito por receio de ficarem desatualizadas. “O medo de perder informações e o contato com as pessoas nas redes sociais, quando você fica afastado do aparelho por um tempo, é conhecido como fear of missing out, um dos sintomas principais da dependência”, esclarece Júlia Khoury.

Quando há suspeita desse tipo de dependência, o indivíduo deve buscar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra. Apesar de não existir medicamentos específicos para tratamento do quadro, o médico pode prescrever algum medicamento de acordo com os possíveis sintomas de depressão ou ansiedade.

Foto: Carol Morena

Vício em jogos eletrônicos

O uso abusivo dos games, outro comportamento cada vez mais comum, foi reconhecido como distúrbio mental pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse vício deve ser incluído na próxima edição da Classificação Internacional de Doenças (CID), cujo lançamento está previsto para maio. Esse reconhecimento decorre da constatação dos prejuízos à saúde e às interações sociais do indivíduo, que pode passar dias seguidos jogando, conectado à internet ou offline.

“O uso de jogos eletrônicos, como qualquer outra coisa, passa a ser abusivo quando a pessoa não faz mais nada na vida além de jogar. Quando o jovem, por exemplo, não consegue mais estudar, isso se torna um problema para ele”, pontua o psicólogo e um dos orientadores do Programa de Pós-Graduação Promoção de Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade, Paulo Roberto Ceccarelli.

Para Ceccarelli, a utilização em excesso de games pode representar uma “válvula de escape” para indivíduos que enfrentam dificuldades de lidar com as frustrações. O ideal é que a própria pessoa reconheça os prejuízos causados pelo vício, para que um possível tratamento seja bem sucedido.

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 187 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

*Redação: Warlen Valadares – estagiário de Jornalismo

Edição: Lucas Rodrigues

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