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Métodos contraceptivos naturais podem ajudar no conhecimento do corpo feminino

Conheça os prós e contras desses métodos


    01 de abril de 2019


    Métodos naturais, como a tabelinha, têm alto índice de falha, mas auxiliam no autoconhecimento e na observação do funcionamento do corpo feminino

    Carol Prado*

    Foto: Carol Morena

    Aplicativos de celular que marcam os dias do ciclo menstrual, observação do muco vaginal e controle da temperatura corporal são formas de contracepção natural ou comportamental. Esse tipo de contracepção se baseia apenas na observação do organismo para estimar o período fértil da mulher e, como dependem do funcionamento do corpo, têm alta taxa de falha: cerca de 50%. Ou seja, a contracepção natural, sozinha, não é suficiente para prevenir uma gravidez. Entretanto, pode ser combinada com outros métodos, além de ajudar a mulher a conhecer melhor o próprio corpo. Os métodos naturais fazem parte da série do Saúde com Ciência

    Para evitar o risco de uma gravidez indesejada, esses métodos podem ser aliados à camisinha masculina ou feminina, por exemplo. A professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG, Juliana Silva Barra, afirma que “não conseguimos mensurar a parte da proteção, porque cada um vai fazer de um jeito. Mas eles [métodos naturais] têm uma taxa de gravidez elevada e é um método que depende muito [do comportamento] da paciente”.

    Tabelinha

    Um dos métodos naturais mais conhecidos é a tabelinha ou calendário menstrual. A partir da observação dos ciclos, pode-se estimar quando a mulher ficará fértil, evitando assim o ato sexual durante esse período. Como o ciclo varia de mulher para mulher, é preciso fazer uma média entre o ciclo mais longo e o mais curto, para aproximar da data correta da ovulação.

    “A gente vai ter que calcular o período fértil, ou seja, o período em que a mulher vai ovular, subtraindo dezoito dias do ciclo mais curto, e onze dias do ciclo mais longo. Ou seja, a paciente precisa conhecer muito bem o organismo, tem de ter um calendário menstrual muito bem feito, e, nesse período, se ela conseguir calcular, ela não pode ter atividade sexual”, explica Juliana.

    Os ciclos são contados a partir do primeiro dia de menstruação, levando em consideração como ciclo o intervalo entre uma menstruação e outra. Por exemplo, se o ciclo mais curto foi de 22 dias e o mais longo, 28, então o período fértil será entre o 4° e o 17° dias do ciclo. 

    Temperatura basal

    Durante a ovulação, há uma ligeira queda da temperatura corporal da mulher, seguida de um aumento que pode chegar até dois graus. Essa variação de temperatura pode ser utilizada como sinalização do período fértil, entretanto, não é um método simples, como explica Juliana Barra. “A paciente tem que mensurar a temperatura todos os dias do mês, antes de levantar da cama. Então, demanda tempo, paciência e tem que ter disciplina para esse método”, alerta.

    Muco vaginal

    A observação do muco vaginal também pode indicar o período fértil. Logo após o período menstrual, a vagina fica seca. Durante o ciclo, as glândulas do colo do útero começam a secretar muco, que terá diferentes aspectos dependendo do momento.

    A observação do muco deve ser feita da seguinte forma: a mulher deve inserir dois dedos no fundo da vagina e pinçar um pouco da secreção, que é natural do organismo. Avaliando a cor e a elasticidade desse muco, pode-se identificar o período fértil ou não-fértil. “No período fértil, essa secreção fica parecendo uma clara de ovo e bem abundante”, revela Juliana.

    Combinar métodos contraceptivos

    Arte: CCS Medicina

    Devido à imprevisibilidade dos métodos naturais, é importante associá-los a outras formas de prevenção, como reforça Juliana Barra. “Sempre tem que associar, principalmente no período fértil. Nenhum método é 100% eficaz. Se a gente consegue combinar, associar os métodos, a taxa de sucesso é maior. Mas existem métodos hoje em dia de longa duração e que não dependem do uso da paciente (como o DIU e os implantes hormonais). Esses têm uma taxa de eficácia maior e, por causa, disso uma taxa de adesão maior”.

    Além disso, a ginecologista lembra que o único método que previne das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) é a camisinha. O preservativo, masculino ou feminino, pode ser combinado com todas as outras formas de contracepção.

    Sobre o programa de rádio

    Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

    O programa também é veiculado em outras 145 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

    Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.

    *Carol Prado – estagiária de jornalismo

    Edição: Maria Dulce Miranda