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Urticária Crônica Espontânea acarreta grande impacto na qualidade de vida


Publicado em: ExternasSaúde - 12 de setembro de 2018

Especialista deve investigar causas subjacentes para que o tratamento da doença seja mais eficaz

*Raíssa César

A intensidade das coceiras é variável no indivíduo com UCE. Foto: Reprodução – Federação Médica Brasileira.

A Urticária Crônica Espontânea (UCE) é uma doença caracterizada por lesões de pele ou de mucosa de caráter recorrente e limitado, com duração superior a seis semanas. As lesões, denominadas urticas, aparecem de forma espontânea, sem causa aparente, e causam coceira de intensidade variável no indivíduo.

As lesões duram menos de 24 horas, reaparecendo depois em outras partes do corpo. Esse processo acontece de maneira recorrente, por períodos superiores a seis semanas.

De acordo com o professor Titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Jorge Andrade Pinto, 15% das pessoas com UCE têm sintomas por mais de cinco anos, o que impacta a qualidade de vida, pois as crises frequentes podem causar limitações às suas atividades cotidianas. “A qualidade de vida do paciente com UCE é comparada, de acordo com estudos prévios, à de quem teve um infarto do miocárdio, e impacta muito mais do que outras doenças alérgicas, como asma, rinite e dermatite atópica, devido à recorrência e à imprevisibilidade das crises”, explica o professor.

“Há também o impacto econômico, ocasionado pelo custo do tratamento prolongado e absenteísmo ao trabalho e escola”, acrescenta Jorge. Assim, o professor enfatiza a importância do médico especialista (alergista, imunologista ou dermatologista), capaz de diagnosticar a doença e investigar as causas subjacentes para tratar a UCE de maneira mais eficaz.

Com prevalência em 2% da população, a UCE acomete com mais frequência mulheres entre 30 e 50 anos. O tratamento consiste em uso prolongado de anti-histamínicos e identificação e tratamento das causas subjacentes. Em casos refratários ao tratamento usual, utiliza-se o omalizumabe, medicamento biológico  anti-IgE, que bloqueia os anticorpos responsáveis por desencadear processos alérgicos.

Doenças autoimunes
Segundo o professor, a UCE pode indicar uma doença autoimune que ainda não se expressou. “A compreensão mais recente é que boa parte dos casos de urticária crônica tem um mecanismo autoimune subjacente, escondido. Um processo autoimune é quando o organismo passa a reconhecer como não próprio partes dele mesmo, como tecidos ou células do sangue, por exemplo”, esclarece.

Jorge destaca que as pessoas que têm Urticária Crônica Espontânea apresentam uma frequência maior de doença autoimune comparadas à população geral.

Urticárias
A urticária aguda acontece de maneira pontual, sem recorrência, como uma alergia a um medicamento, por exemplo. Já a urticária crônica induzida aparece a partir da indução por agentes físicos, como exposição ao frio ou à água quente, também com duração superior a seis semanas.

Diferentemente das urticárias aguda ou crônica induzida, a UCE não tem uma causa aparente, e manifesta-se  independente de estímulos físicos.

 

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