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Tratamento do lúpus exige acompanhamento contínuo


Publicado em: ExternasRádio - 9 de setembro de 2016

Nova série do Saúde com Ciência investiga características da doença autoimune e os efeitos colaterais do tratamento medicamentoso.

 ImpressãoEstima-se que existam 65 mil pessoas acometidas por lúpus no Brasil, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Ela é caracterizada por acometer vários órgãos, podendo causar lesões na pele, dores articulares, manifestações renais e pulmonares. A inflamação é de origem autoimune, isto é, o corpo humano produz anticorpos que deveriam proteger o organismo contra infecções, mas devido a uma desregulação do sistema imunológico, eles acabam atacando partes do próprio corpo.

A doença pode ser classificada de duas formas: ativa, que é quando os sintomas se manifestam, ou inativa, quando eles ainda não se manifestaram ou quando está controlada pelo tratamento medicamentoso. Para tratar o lúpus, são utilizados três tipos de medicação: os corticóides, as cloroquinas e os imunossupressores. Para a reumatologista e professora do Departamento do Aparelho Locomotor da Faculdade de Medicina da UFMG, Cristina Lanna, a utilização desses remédios é necessária no tratamento, mas causam efeitos colaterais no corpo. “O corticóide pode causar aumento da pressão e da glicose no sangue, ganho de peso e osteoporose. Em várias situações, é a melhor opção, pois tem um efeito rápido de controle da atividade inflamatória. Porém, se o paciente usar por muito tempo em dose alta, ele vai ter esses efeitos colaterais.”

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Pessoas com lúpus apresentam vermelhidão no nariz e nas maçãs do rosto em forma de asas de borboleta. Imagem: reprodução/internet

A cloroquina é responsável pela melhora da artrite e das lesões na pele, mas pode causar alterações na retina, o que exige visitas regulares ao oftalmologista. Já os imunossupressores são uma classe de remédios utilizados no controle e na manutenção da inflamação, tornando-a inativa. Contudo, por atuar no sistema imunológico, eles facilitam que infecções sejam contraídas pelo organismo, sendo que o próprio lúpus já torna o corpo mais suscetível a essas infecções: “Parece um contrassenso, mas esta medicação imunossupressora é a ideal para atingir o que chamamos de remissão da doença, tornando-a inativa.”, explica Cristina Lanna.

Devido a esses efeitos, o controle do uso das medicações é feito de perto, com exames de laboratório e a realização de consultas médicas a cada três meses. Apesar dos efeitos colaterais, a reumatologista destaca que a ausência do tratamento é um cenário pior, já que as complicações da doença são mais agressivas que os efeitos colaterais. Cristina Lanna lembra, ainda, que o Sistema Único de Saúde (SUS) garante o acesso à maioria desses medicamentos, por meio da rede pública de hospitais.

Convivendo com o lúpus

Existe uma variedade de genes que pode causar o lúpus, o que impede que o médico saiba se a pessoa tem uma pré-disposição para a doença, impossibilitando formas de prevenção da inflamação. Apesar disso, há medidas que podem ser tomadas para diminuir as chances de desenvolver a condição, como sugere a reumatologista Adriana Maria Kakehasi, também professora do Departamento do Aparelho Locomotor da Faculdade de Medicina. “Evitar a exposição excessiva ao Sol, já que o contato com a luz ultravioleta favorece, para quem tem lúpus, o surgimento de mais lesões de pele, além da produção de mais anticorpos, fazendo com que manifestações internas também apareçam.” aconselha a especialista. “Adquirir uma alimentação saudável com frutas e verduras, que são anti-inflamatórias naturais, e também ter uma vida com menos estresse e com a prática de exercícios físicos”, acrescenta.

Opinião que é reforçada pela professora Cristina Lanna, que recomenda a realização de caminhadas, por exemplo, desde que fora dos horários de sol mais intenso, entre às 10h e 16h Por fim, a especialista chama atenção para a necessidade de a pessoa lúpica tomar cuidado, também, com sua vida emocional. “O paciente com lúpus deve tentar, sempre, encontrar o equilíbrio emocional. Por ter uma doença autoimune, ele deve procurar entender melhor como ele reage aos estresses da vida, as relações de trabalho e também pessoais”, finaliza. 

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 178 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

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