“Imagine que o equilíbrio emocional seja representado por uma régua de 30 centímetros. O centro dessa régua é o ponto ideal e ilustra um nível inalcançável pelos seres humanos. No caso de pessoas consideradas equilibradas, a emoção oscila, na maior parte do tempo, pouco abaixo de 14, ou ligeiramente acima de 16, nessa escala. O portador do Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), no entanto, atinge, sem controle ou critério, as extremidades dessa régua, e não consegue se estabilizar.”

A explicação é de um dos pacientes do projeto de pesquisa e extensão na área de psiquiatria do Ambulatório Borges da Costa, no Hospital das Clínicas (HC) da UFMG. O tratamento gratuito, oferecido pelo projeto consiste, além da medicação, em intervenções psicossociais direcionadas entre outras coisas para o esclarecimento sobre o TAB – como se pode notar pela descrição feita pelo paciente.

Os interessados em passar pela avaliação neuropsicológica e submeter-se ao tratamento devem acessar o site do Laboratório de Investigações Neuropsicológicas (INCT-MM) (www.labineuro.com), que contém as instruções para o cadastro, ou enviar e-mail para ntatranstornobipolar@gmail.com. Os pacientes também são encaminhados pelo Ambulatório de Transtorno Bipolar da psiquiatria do HC, atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A avaliação consiste na aferição dos níveis de atenção, memória, ansiedade e humor, realizada por meio de testes neuropsicológicos, com softwares próprios e autorrelatos, mediados por equipe composta por psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupacionais. Com essa triagem, é possível fazer um mapeamento das condições dos pacientes e distribuí-los entre os três tipos de intervenções ofertadas.

A psicoeducação, feita em grupo, em oito encontros (um por semana), e consiste em informar os pacientes sobre o distúrbio, expor as situações de risco de crises e os respectivos fatores de proteção. Outra possibilidade de intervenção é a terapia cognitivo-comportamental, procedida individualmente, geralmente com 12 encontros previstos, um por semana. Por fim, a reabilitação cognitiva é um mecanismo que visa lidar com os prejuízos cognitivos do paciente, aprimorando aspectos como memória, atenção, organização e planejamento, tornando-o apto a lidar com as tarefas do cotidiano.

Criado em 2009, o projeto é coordenado pelos professores do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG Fernando Neves, Humberto Corrêa, Leandro Malloy-Diniz e Tatiana Mourão.

Veja reportagem completa no Boletim UFMG 1817 https://www.ufmg.br/boletim/bol1817/5.shtml

(Centro de Comunicação da UFMG)

    Contador de visitas: 602 visualizações

    Veja também: