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Transtornos alimentares são agravados por quadros psicológicos


Publicado em: ExternasRádio - 30 de setembro de 2016

Nova série do Saúde com Ciência explora problemas de saúde que podem ser associados aos Sete Pecados Capitais, como a gula.

ImpressãoA hora da refeição é, para muitas pessoas, uma das horas mais prazerosas e satisfatórias do dia. Entretanto, ao comer em excesso, o que deveria ser um momento de saciedade se transforma em um problema, que pode acarretar várias complicações graves para a saúde. Essa gula pode ter origem em transtornos alimentares que, por sua vez, podem estar associados a quadros psicológicos do paciente.

Segundo o psiquiatra e professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Frederico Garcia, há dois dos tipos de transtornos alimentares de maior frequência. “O principal é a bulimia, que é caracterizada por dois comportamentos: um chamado de libações alimentares, que é quando o indivíduo come grandes quantidades de comida em um curto período de tempo, seguido de um comportamento compensatório.”, esclarece. “O segundo é o binge eating disorder, conhecido como transtorno do comer compulsivo, em que a pessoa tem essas libações, mas não tem o comportamento compensatório”, explica.

No caso da bulimia, os comportamentos compensatórios citados variam, podendo ser por meio da prática excessiva de exercícios, o uso de medicamentos que inibem o apetite ou, o que é mais comum, quando a pessoa força o próprio vômito após comer. Frederico Garcia destaca que, os transtornos estão ligados, em vários casos, a depressão e ansiedade, e que as pessoas devem estar atentas a esta relação. “Um ponto muito importante é esta associação entre os transtornos da ansiedade e da depressão com o excesso alimentar, pois as pessoas levam tempo para perceber que, além de estarem deprimidas, estão comendo demais”, alerta. “Tratando essas doenças, é possível melhorar o comportamento alimentar e fazer com que as pessoas, às vezes, percam peso e se sintam bem”, completa.

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Imagem: reprodução/internet

Os dois transtornos levam a demais problemas de saúde, como obesidade, hipertensão, diabetes e dores articulares. Existem diferentes explicações para a origem dos transtornos, segundo Garcia. Uma delas é psicológica, em que o comer seria uma compensação para um outro sintoma, que pode ser a angústia ou a depressão. Outra teoria é do ramo psiquiátrico, em que, pelo ponto de vista neurocientífico, tanto a bulimia como o comer compulsivo acabam se aproximando do quadro de dependência química, com o indivíduo passando a precisar das crises para sentir prazer. Por fim, existem algumas teorias do campo biológico que defendem que uma alteração de certos neuropeptídeos, causado pela flora bacteriana, seria a responsável pelo desajuste da regulação alimentar.

 

Tratamento

Familiares e amigos devem prestar atenção aos sinais que indiquem a existência dos transtornos, como alimentos sumindo da geladeira ou caso a pessoa se tranque no banheiro logo após as refeições. Frederico explica que, o tratamento consiste na utilização de algumas medicações antidepressivas em altas doses, que reduzem a frequência da crise dos transtornos.

“Só o remédio não basta. É necessário associar o tratamento medicamentoso a psicoterapia e ao acompanhamento familiar. O tratamento como um todo dura de um a cinco anos e, após esse período, a pessoa consegue viver sem as crises e encarando melhor as dificuldades da vida”, finaliza.

 

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 180 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

 

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