Sociedades de especialidades da Associação Médica de Minas Gerais se unem para discutir o tema ‘Transplantando vidas em Minas Gerais’, no sábado, 17 de agosto, na sede da Associação Médica de Minas Gerais – AMMG (Avenida João Pinheiro, 161, centro). Das 8h às 12h30, haverá programação para profissionais de saúde e para leigos, entre eles pessoas que já passaram por algum tipo de transplante e participam de caminhada da Praça da Liberdade até a sede da AMMG, às 9h30.

O coordenador do evento, o cirurgião geral Agnado Soares Lima, professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG, afirma que serão abordados os procedimentos realizados em córnea, rim, fígado, pâncreas, coração e pulmão. “Os transplantes serão explicados de maneira ampla, abrangendo desde a doação de órgãos, as indicações principais para cada tipo de transplante e também as dificuldades que permeiam esta atividade”, revela Lima.

A falta de órgãos é um grande empecilho para realização de transplantes no Estado, de acordo com o coordenador do evento. “Temos que diferenciar a falta de órgãos da falta de doação destes. A maioria das famílias (cerca de 70%) doa os órgãos de parentes que se encontram em morte encefálica. No entanto, a organização necessária para a identificação e captação dos órgãos ainda está em desenvolvimento e é o principal obstáculo à disponibilização de um maior número deles em Minas Gerais.”

Lima conta que Minas Gerais é o segundo estado do Brasil em número de doadores (245/ano). Porém, quando o número de doadores é convertido em doadores/milhão de habitantes, ficamos em 11º lugar (11,5 doadores por milhão de habitantes/ano), conforme os dados de 2012 do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

O especialista explica que os transplantes são divididos em de tecidos e de órgãos. O transplante de tecido mais comum é o de córnea, e o de órgão mais comum é o de rim. “Do ponto de vista de técnica cirúrgica, o transplante de fígado é o mais complexo. Mas, todos os tipos de transplantes têm peculiaridades que os tornam procedimentos complexos: alguns são mais difíceis do ponto de vista da técnica cirúrgica, outros são mais complicados no controle clínico pós-transplante”, orienta.

Agnaldo Soares Lima destaca que os transplantes são indicados quando não existe uma outra boa alternativa de tratamento, que seja menos complicada e menos arriscada. “Alguns têm um valor indescritível, tal como voltar a enxergar após um transplante de córnea, deixar de ser diabético depois de um transplante de pâncreas ou deixar de fazer diálise, como no transplante de rim. Mas alguns transplantes são fundamentais para a sobrevida do paciente e são a última esperança, tais como os transplantes de fígado, coração e pulmão.”

Atualmente, segundo Lima, novos imunossupressores procuram trazer melhor eficiência para controle da rejeição com menor incidência de efeitos colaterais em pacientes transplantados. “Também estão sendo estudadas maneiras de viabilizar o uso de células tronco na produção de novos órgãos para substituir órgãos defeituosos, embora esse processo ainda esteja no início e sem perspectivas imediatas de utilização”, alerta o médico.

Participam do encontro os departamentos de endocrinologia e metabologia, cardiologia, cirurgia geral, nefrologia, neurologia, oftalmologia, pneumologia e cirurgia torácica, e terapia intensiva da AMMG. A entrada para a reunião multidisciplinar é gratuita. Confira a programação completa e faça a sua inscrição no site: www.ammg.org.br.

Mais informações: (31) 3247 1619.

(Assessoria de Comunicação da AMMG)

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