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Transplante de fígado: especialista fala sobre avanços importantes


Publicado em: ExternasRádio - 15 de setembro de 2017

Saúde com Ciência apresenta série dedicada às funções e tratamentos do fígado

Hoje, os tratamentos das doenças hepáticas, ou seja, que acometem o fígado, apresentam resultados que são considerados positivos. O transplante do órgão, por exemplo, tem 80% de eficácia nos procedimentos realizados em Minas Gerais. Para que esse cenário se torne mais satisfatório, novas técnicas no tratamento dessas doenças estão sendo desenvolvidas: uma delas já é utilizada e está relacionada aos efeitos colaterais do transplante e à medicação contra a rejeição do órgão.

O professor da Faculdade de Medicina e cirurgião do Hospital das Clínicas da UFMG, Cristiano Xavier, explica que, após um transplante, existe a possibilidade de rejeição ao órgão implantado. O sistema imunológico do receptor reconhece o fígado como um corpo estranho e cria-se a necessidade de uma medicação imunossupressora. São medicamentos que combatem essa rejeição, mas que podem apresentar efeitos colaterais, trazendo o risco de infecções oportunistas. “Os novos medicamentos evitam a rejeição com menos efeitos colaterais, são mais específicas e têm menos efeitos em outros órgãos e sistemas que não têm relação com o transplante”, afirma.

O professor também cita uma técnica para um futuro não distante, que busca aumentar a sobrevida do fígado após a retirada do órgão do doador com morte encefálica. Atualmente, a partir de 16 horas da retirada, o órgão dificilmente é viável para ser implantado no receptor. “A medicina tem criado outras técnicas que visam manter esse órgão viável por um número maior de horas, permitindo aproveitar órgãos de doadores que estão a grandes distâncias de receptores. Além disso, a cirurgia não terá que ser feita com tanta urgência, possibilitando ao paciente se dirigir ao hospital com mais segurança e conforto”, diz Cristiano Xavier.

Foto ilustrativa: Reprodução

Tratamento substitutivo

O desenvolvimento de fígados temporários é outro progresso significativo que tende a ser implementado a médio prazo. A técnica é direcionada aos pacientes com quadros de hepatite aguda ou fulminante, quando há uma insuficiência aguda do fígado, por exemplo, pelo uso de medicamentos ou reações colaterais, e torna-se necessário fazer um transplante em até 72 horas.

“Se a gente tem, como na hemodiálise, um apoio artificial para o paciente durante certo período de tempo, até que apareça um doador compatível, isso é algo muito desejável. Hoje, no Brasil, 70 a 80% dos pacientes com hepatite grave, aguda, fulminante, não conseguem suportar até que seja disponibilizado um fígado e eles possam ser transplantados”, afirma o professor Cristiano. Esse tipo de tratamento temporário e substitutivo é, segundo ele, um progresso que vai trazer um benefício social considerável para o país.

Cartilha

*Para mais informações sobre a saúde do fígado, clique na cartilha Sou o Fígado: Você me conhece?. Ela foi produzida pela equipe do projeto de extensão Espaço Porta, com apoio do Instituto de Ciências Biológicas (ICB/UFMG).

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 187 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

Redação: Marcos Paulo Rodrigues | Edição: Lucas Rodrigues

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