Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Foto: Reprodução Agência de Noticias da AIDS

Foto: Reprodução Agência de Noticias da AIDS

Notícia publicada no Saúde Informa.

Fabricado no Brasil e disponibilizado pelo SUS, exame apresenta resultado em 20 minutos

O Brasil tem cerca de 734 mil pessoas com o vírus HIV, de acordo com os dados do Boletim Epidemiológico HIV-Aids 2014, divulgado pelo Ministério da Saúde no final de 2014. Segundo o infectologista e professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Dirceu Greco, cerca de 180 mil não sabem estar infectados e, por isso, o assunto deve estar constantemente em pauta. “Qualquer pessoa hoje, com vida sexual ativa, que tiver relação sexual não protegida com outra pessoa, corre risco. Pode ser pequeno ou maior, mas é sempre risco”, afirma o professor.

Uma das formas de diagnosticar a infecção pelo vírus é através do teste rápido de HIV, disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que pode ser feito de forma anônima. Para o professor, o teste serve como uma plataforma para ampliar a discussão sobre AIDS. “Ele é uma ferramenta para uma discussão maior sobre os dois pontos chaves para controlar a epidemia da AIDS: prevenção e diagnóstico”, afirma. Ele ressalta que a prevenção é crucial, pois, além da AIDS, a pessoa pode ser infectada por outras doenças sexualmente transmissíveis, como hepatite e sífilis. Já o diagnostico é um tabu, pois médicos e pacientes ainda têm dificuldades para abordar assuntos como o teste de HIV.

Como funciona o teste rápido de HIV?
O aparelho é extremamente bem feito, parece um pen-drive, e tem um pequeno orifício para pingar o sangue. O sangue é colhido com uma agulha fina e indolor. Se o resultado for positivo, aparece uma linha no visor, após 20 minutos. É bem prático, como se fosse um exame de glicose, a tecnologia é muito semelhante.

Quem deve fazer o teste rápido, e quando deve ser feito?
Todas as pessoas que têm vida sexual ativa e nunca fizeram o exame deveriam fazer. A frequência vai depender do tipo de vida que você tem. Mas uma pessoa com vida sexual ativa deveria fazer todos os testes: HIV, hepatite e sífilis.

Qual é a vantagem maior do teste rápido?
A vantagem é a chance de você ter acesso ao resultado imediatamente. Antigamente, o paciente chegava ao ambulatório, o médico pedia o exame, ele ia embora e depois de algum tempo marcava a consulta para buscar o resultado. Então, havia um espaço nesse processo e existia, além da ansiedade do paciente, o risco dele não buscar o resultado por medo, não só do resultado positivo, mas da quebra de confidencialidade na hora da entrega do exame. Com o teste mais acessível, você quebra uma barreira. É uma tecnologia ótima, fabricada no Brasil e disponibilizada pelo SUS.

Após o resultado, positivo ou negativo, o paciente recebe algum tipo de orientação?
Caso o resultado seja negativo, o médico tem a oportunidade de reforçar e discutir a prevenção. Se a infecção for comprovada é feita a orientação necessária e encaminhamento para um serviço de saúde para o acompanhamento adequado. Em torno de 30% das pessoas infectadas pelo HIV não fazem um diagnóstico precoce, no tempo correto e são diagnosticadas já com baixa imunidade e muitas vezes com alguma doença oportunista.

Qual a importância deste teste rápido para o controle epidemiológico da AIDS?
A existência de um teste de HIV em si já é importante. Quando o primeiro teste disponibilizado foi aplicado, inicialmente em bancos de sangue, e todo o sangue do Brasil passou a ser testado para HIV, foi uma vitória. Hoje, apesar da maioria da população saber que o preservativo previne a transmissão sexual do HIV, este tem sido utilizado em menos de 50% das relações sexuais casuais. Então, tendo um teste rápido, de simples execução, confiável e acessível e que facilite os dois lados, mostrar o resultado negativo, pra discutir prevenção e mostrar o positivo para ser tratado, é realmente um ganho extraordinário.

O que muda para os pacientes com o coquetel 3 em 1 estando disponível no SUS?
Em 1996, o paciente chegava a tomar até 18 comprimidos por dia, dependendo do estágio da doença. Hoje, no Brasil, a pessoa que é diagnosticada tem a possibilidade de ser tratada com um único comprimido por dia. Neste comprimido estão associados três medicamentos sabidamente eficazes contra o HIV. Vale lembrar que, apesar de o tratamento ser simplificado, a pessoa deverá tomar o remédio todo dia pelo resto da vida, pois o medicamento controla a infecção, mas não cura. De fato tem havido grande progresso no tratamento, mas este ainda é muito complicado. Assim, aqui também é preferível prevenir a tratar.

Atenção

O Ministério da Saúde recomenda que a pessoa espere entre 30 e 60 dias após a suspeita de exposição ao vírus da AIDS para a realização do teste, já que esse é o intervalo de tempo entre a infecção pelo vírus e a produção de anticorpos anti-HIV no sangue, que vai confirmar a infecção.

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