Síndrome de Burnout, TOC, fobia social e dependência tecnológica também são temas debatidos pelos especialistas no programa de rádio da Faculdade de Medicina da UFMG.

Sensação de loucura, perda do controle emocional, medo da morte. Esses são sintomas já relatados por vítimas da Síndrome do Pânico, que atinge cerca de 3% da população mundial, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os ataques repentinos duram, em média, de dez a vinte minutos, e podem ser confundidos com outras doenças, como infarto do miocárdio e hipertireoidismo.

O psiquiatra e professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Humberto Corrêa, diz que o distúrbio se caracteriza por um ataque de ansiedade intenso, em que a pessoa tem sinais de duas esferas. “Primeiro, sintomas psíquicos, então ela vai ter uma sensação de que algo muito grave está acontecendo. E tem ainda uma série de sintomas físicos, que são, por exemplo, taquicardia, suor frio e diarreia.”

Ilustração: Carina Cardoso

O professor acrescenta que, frequentemente, o indivíduo que está manifestando o ataque procura um serviço médico de urgência, porque ele realmente acha que vai morrer. Por isso, é comum que o diagnóstico clínico da síndrome não seja feito pelo psiquiatra, mas por um profissional disposto na urgência. “Esse profissional recebe o paciente, faz uma série de exames cardíacos, por exemplo, e constata que não há nenhuma alteração orgânica. Então ele é encaminhado para um diagnóstico do transtorno do pânico”, explica.

Humberto Corrêa também destaca que nem toda ansiedade é sinal do transtorno, já que ela é uma sensação normal e fisiológica. “Níveis mais baixos de ansiedade nos ajudam aumentando a concentração, atenção, memória. Nós ficamos mais aptos, inclusive, cognitivamente.” Para o professor, ela passa a ser um transtorno quando começa a trazer prejuízos funcionais e sofrimento ao indivíduo.

Assim como a maioria dos transtornos psiquiátricos, a Síndrome do Pânico tem fatores genéticos. Mas como sua ocorrência é relativamente rara, o fato de a pessoa ter um parente de primeiro grau com o problema não significa que ela irá desenvolvê-lo. “Ela terá uma chance maior do que a população em geral, no entanto, é bem provável que nunca venha a ter o mesmo transtorno”, pondera o psiquiatra.

Apesar de não haver fatores específicos para prevenir o problema, algumas mudanças de hábitos podem ajudar o indivíduo a evitá-lo, uma vez que existem atitudes que são predisponentes ao mesmo. “Abuso de álcool e outras substâncias, insônia e fadiga excessiva são fatores que favorecem o desencadeamento de um ataque do pânico. A redução disso é, de certa forma, uma prevenção também”, alerta.

Vale lembrar que quanto mais cedo o indivíduo buscar assistência psiquiátrica, melhor será sua resposta ao tratamento do transtorno.

Tema da semana

Na série Síndromes e transtornos psiquiátricos, além de explicarem os termos, especialistas discutem o Transtorno Ansioso Social, ou fobia social, e a Síndrome de Burnout, entre outros problemas relacionados à saúde mental. Confira a programação:

Síndrome de Burnout – segunda-feira (13/05/2013)

Síndrome do Pânico – terça-feira (14/05/2013)

Transtorno Ansioso Social – quarta-feira (15/05/2013)

Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) – quinta-feira (16/05/2013)

Dependência de Tecnologia – sexta-feira (17/05/2013)

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. De segunda a sexta-feira, às 5h, 8h ou 18h03, ouça o programa na rádio UFMG Educativa, 104,5 fm. Ele ainda é veiculado em 29 emissoras de rádio em Minas Gerais. Também é possível conferir as edições pelo site do Saúde com Ciência.

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