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Síndrome do ninho vazio: como a saída dos filhos pode afetar a saúde das mães

Apesar da alegria de presenciar a independência do filho, algumas mulheres podem apresentar quadros depressivos com a mudança.


    18 de março de 2019 -


    Apesar da alegria de presenciar a independência do filho, algumas mulheres podem apresentar quadros depressivos com a mudança.

    *Marcela Brito

    Arte; CCS Medicina

    “Eu sinto falta deles o tempo todo, das brincadeiras, de protegê-los. […] Sinto falta deles na mesa posta para almoçar”, conta Sara Ferreira, psicóloga e mãe de um casal de filhos que já saiu de casa.  O sentimento de Sara é comum: pesquisa realizada por psicólogos aponta que a saída dos filhos das casas dos pais não é vista como natural e, para 46% dos entrevistados, o período representa mudanças financeiras e no papel desempenhado por cada membro da família. A saída dos filhos também pode representar tristeza para muitos pais, ou seja, a Síndrome do Ninho Vazio (SNV). Ela está relacionada a uma dificuldade em lidar com essa nova fase. Na série Maternidade, o programa Saúde com Ciência aborda como a SNV afeta as mulheres.

    De acordo com a professora do Departamento de Saúde Mental, Tatiana Mourão, a Síndrome faz parte de um processo de luto, sentimento comum ligado à perda de pessoas, objetos ou ideias. Entretanto, no ninho vazio, esse luto é acompanhado por alterações, como baixa autoestima, sensação de impotência, alterações de peso e até ideações suicidas. Essas mães também podem apresentar quadros depressivos e ter riscos relacionados ao abuso de substâncias, como o álcool.

    Algumas mulheres podem ter mais dificuldade com a SNV, esse é o caso das mães que se dedicam exclusivamente à educação dos filhos. Isso acontece porque “quando uma mulher constroi toda sua identidade de vida como indivíduo que vai atuar na criação e educação, o processo de pensar em outras possibilidades para esse presente é mais complexo”, aponta Tatiana.

    46% dos pais não avaliam a saída dos filhos como normal. Foto: Rawpixel

    Um dos problemas apontados pela psiquiatra como o fator que contribui para a Síndrome é a dificuldade em perceber as etapas de vida do filho. “O primeiro passo da independência do filho começa na infância, quando a criança começa a correr e brincar e para de responder os chamados da mãe. Ele se acentua na adolescência e é consolidado na fase adulta”, explica.

    Compreender que cada uma dessas fases faz parte do processo do crescimento do filho auxilia essas mulheres a lidar com a síndrome do ninho vazio. Caso aconteçam alterações, como quadros depressivos, é importante procurar profissionais de saúde mental para ajudar a viver de maneira mais saudável essa fase.

    “Identificar cada etapa e vivê-la bem dentro do que a vida nos oferece, saber quando as fases terminaram e se desprender do que passou para construir o presente e o futuro”, conclui Tatiana.

    Sobre o programa de rádio

    O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

    O programa também é veiculado em outras 145 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

    Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.

    *Marcela Brito – estagiária de jornalismo

    Edição: Maria Dulce Miranda

    Atualizada em 20/03/2019 às 14:55