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Mesa de abertura do Simpósio. Foto: Deborah Castro

A Faculdade de Medicina da UFMG recebeu nesta segunda-feira, 24 de outubro, o Simpósio Internacional sobre Avaliação de Serviços de Saúde. O evento foi realizado no auditório do Centro de Tecnologia em Saúde (Cetes), no 6º andar da Unidade, e contou com a participação de professores, estudantes e funcionários da área da Saúde.

O objetivo do simpósio é discutir as experiências na produção de evidências para a decisão sobre políticas, planejamento e gestão em saúde, a partir da utilização e integração dos registros de grandes bases de dados. “Somos uma instituição de pesquisa, ensino e extensão. Temos como uma de suas prioridades a saúde pública, que está ligada principalmente a nossa pós-graduação”, afirmou o diretor da Faculdade, Tarcizo Afonso Nunes.

Segundo a coordenadora do evento e professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social, Mariângela Leal Cherchiglia, o Brasil ainda não possui um banco de dados único que integraliza as informações do Sistema Único de Saúde (SUS). “Nós temos vários sistemas de dados, mas eles não comunicam entre si. Temos que pensar em como integralizar essas informações, mas também pensar na importância da gestão desses dados”, explicou.

Para a professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina e também responsável pela organização do evento, Eli Iôla Andrade, o simpósio é uma oportunidade para aprender com as experiências de outros países. “Apesar das dificuldades, têm ocorrido avanços na integração das bases de dados no país. A partir das experiências apresentadas podemos debater maneiras para fortalecer a saúde pública”, declarou.

Também participaram da abertura do simpósio o chefe do Departamento de Medicina Preventiva e Social, Antônio Thomaz Matta Machado; o vice-diretor do Núcleo de Educação em Saúde Coletiva (Nescon), Edison Corrêa; e coordenador do Centro Colaborador do SUS para Avaliação de Tecnologias e Excelência em Saúde (CCATES/UFMG), Augusto Afonso Guerra.

Experiência espanhola

Na primeira palestra, Enrique Bernal-Delgado, médico especialista em medicina preventiva e saúde pública, e coordenador científico do projeto Atlas de Variação da Prática Médica do Instituto Aragonês de Ciências da Saúde de Zaragoza-Espanha, expôs a aplicabilidade e metodologia do programa de dados em execução na Espanha.

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Enrique Bernal-Delgado apresentou sobre o programa de dados em execução na Espanha. Foto: Deborah Castro

Segundo Enrique, o “Atlas de Variaciones de la Práctica Médica”, é um ciclo de análise rápido, que tem como objetivo estudar a saúde pública espanhola a partir de duas perspectivas: as diferentes formas de exposição das populações aos cuidados de saúde e a forma como os sistemas de saúde prestam os seus serviços em termos de qualidade e segurança. “Usamos como fonte os dados das altas hospitalares dos pacientes, informações sociodemográficas da população, informações sobre os hospitais e dados de oferta e demanda”, destacou.

Para o especialista um dos grandes problemas relacionados às bases de dados da saúde está relacionado à atualização das informações. “Normalmente os dados disponíveis são referentes ao ano anterior. O ideal seria que esses dados fossem atualizados semanalmente. Este é um grande avanço no processo”, acrescentou.

De acordo com Enrique, a partir dos dados integralizados pelo Atlas é possível analisar a qualidade do serviço de saúde e as variações geográficas da prática médica, avaliar se as políticas públicas realizadas estão sendo efetivas, além de compreender a trajetória dos pacientes e avaliar os custos e procedimentos dos serviços oferecidos. “Com essas informações podemos discutir as condições socioeconômicas da população e pensar em propostas para a melhoria da saúde pública”, concluiu.

As atividades do simpósio terão continuidade na manhã dessa terça-feira.

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