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Seminário reafirma ética e vida como direito e dever


Publicado em: AgendaExternas - 8 de junho de 2015

Com a apresentação do documentário “À Queima Roupa”, evento pretende debater sobre as manifestações da violência e suas diversas implicações

“A violência talvez seja a questão mais importante para lidarmos atualmente porque ela coloca em risco todas as nossas relações, nossos valores e nossa vida”, é o que acredita a professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG, Elza Machado de Melo. Representando o Mestrado em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina UFMG, ela irá compor a mesa-redonda do “Seminário ética e direito de todos à vida”, no dia 10 de junho, no Salão Nobre da Faculdade de Medicina da UFMG. Junto a ela estará presente a diretora do filme Theresa Jessouroun; os professores Dirceu Greco, coordenador da atividade e da disciplina Seminários de Bioética; Heloísa Greco, professora de História e membro do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania; e José Luiz Quadros de Magalhães, das Faculdades de Direito da UFMG e da PUC Minas.

Para Elza, a ideia de trazer um seminário que reforça a premissa de que a vida é um direito de todos é uma das formas de tratar o enfrentamento da violência. “Trazer essa discussão para a saúde é essencial. A saúde, outros setores, como a educação, e a sociedade têm o compromisso de reconhecer, lutar e garantir a vida e a qualidade da vida”, afirma. Em continuidade, ela diz que trazer esta especialidade para tal discussão é alargar o conceito de que vida só pode ser tratada no momento em que ela está sendo perdida, dentro um serviço de saúde, por exemplo, para entender que ela tem que ser defendida em todos os momentos, em todos os lugares e por todos. “Esta é a ideia principal: combater a violência e defender o direito à vida. É um dever de todos”, ressalta.

Segundo a professora, a violência cometida pelo Estado e o resultado irreversível causado por essa repressão é apenas um recorte da violência.  “Nós temos outras violências que também causam a morte, permeiam outros espaços e que também estão intimamente relacionadas. Tais questões devem ser abordadas no Seminário”, expõe. A professora ainda salienta que embora vivamos em um modelo de governo denominado democracia, o Estado continua agindo com violência e carrega em sua história ações deste tipo, e não só no Rio de Janeiro como mostra o documentário. “Este estado não é só violento quando mata, é também em suas outras relações. Há outras violências que estão no nosso cotidiano como a negação do acesso, o controle, o assédio, entre outras, que perpassam nosso processo penal como se ele fosse conseguir reintegrar ou solucionar tais questões”, pontua. “Este estado não nasceu em árvore e não é assim porque é. Ele está intimamente associado a uma sociedade que também é desigual, excludente, por isso também violenta e que, de certa forma, dá respaldo para estas ações”, continua.

Elza completa convidando a participação de toda a comunidade para o Seminário, destacando que a violência é uma questão que está em nossas mãos e ao alcance da nossa atuação, além de defender que sempre é tempo de reafirmar o direito à ética e a vida.

Seminário Ética e direito de todos à vida

O evento será realizado no dia 10 de junho, na Faculdade de Medicina da UFMG, com início às 18h30, no Salão Nobre da Faculdade. A entrada é franca, sem necessidade de inscrição prévia e aberto a toda população. Terá certificado e será considerado como Atividade Complementar Geradora de Crédito (ACGC) para alunos da Faculdade de Medicina da UFMG.

Exibição de documentário
O filme “À queima roupa”, com direção da Theresa Jessouroun, será o ponto de partida para o debate que ocorrerá no Seminário. A produção contou com entrevistas, imagens de arquivo e cenas ficcionais para reconstruir a memória dos sobreviventes e retratar os últimos 20 anos de chacina no Rio de Janeiro, desde 1993. Ganhador dos prêmios de Melhor Direção e Melhor Documentário no Festival de Cinema do Rio em 2014, o documentário mostrará uma dura realidade que nem sempre é conhecida e/ou dimensionada pela sociedade.

 

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