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Seminário do Nupad aborda racismo sob aspectos históricos e do imaginário social


Publicado em: ExternasNotícias - 12 de fevereiro de 2019

Pró-reitor de Assuntos Estudantis da UFMG realizou dinâmicas que motivaram a reflexão sobre o tema

Rodrigo Ednilson de Jesus , pró-reitor de Assuntos Estudantis da UFMG. Foto: Carol Morena

Quais são as primeiras três palavras que vem a cabeça quando se pensa em África? E quando é sobre a Grécia? A proposta do questionamento foi feita pelo professor da Faculdade de Educação e pró-reitor de Assuntos Estudantis da UFMG, Rodrigo Ednilson de Jesus, em forma de dinâmica, para debater os conceitos de racialismo e racismo. Ele conduziu a palestra final da oficina “Identificando o não dito: Racismo Institucional no contexto da Doença Falciforme”, nesta segunda-feira, 11, promovida pelo Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad).

Após categorizar as palavras apontadas nas respostas, o professor destacou que, apesar de ter acontecido regime de escravidão na Grécia, essa foi uma palavra anotada apenas para “África”, devido à associação que normalmente é feita do povo negro com o regime. E as palavras ligadas à racionalidade e arte foram mais lembradas para a Grécia.

Dessa forma, Rodrigo evidenciou o racialismo como capacidade de se definir uma “raça” sem olhar seu DNA, apenas a partir de traços relacionados ao fenótipo, como a cor de pele. “O racismo acontece quando essa classificação é feita dando valor negativo para determinada raça, como quando se define hierarquias em termos de racionalidade ou cultura, como na dinâmica”, explicou.

“A gente não se lembra da escravidão na Grécia, porque a gente não a associa aos sujeitos que foram submetidos à ela. Racializamos no caso da África, mas não no caso da Grécia, porque pensamento e razão não tem raça”, argumenta Rodrigo.

Ele destacou, ainda, que esse imaginário sobre as raças, disseminado até mesmo em livros didáticos, contribui para a reprodução do racismo, na medida em que fortalece comportamentos preconceituosos. “E mesmo que o racismo institucional exista independente de ações individuais deliberadas, o silêncio individual contribui para a produção dele”, ressaltou, fazendo eco ao tema central do evento.

A oficina

Foto: Carol Morena

Destinada aos colaboradores do Nupad, a oficina teve como objetivo contextualizar a doença falciforme e as ações desenvolvidas pelo “Projeto Racismo Institucional: A Doença Falciforme e seus contextos sociais”, de forma a promover diálogo e favorecer o conhecimento e sensibilização ao tema.

Para o participante José Vicente Alves, técnico em Tecnologia da Informação do Nupad, a palestra do pró-reitor teve um importante papel de questionar comportamentos e tirar dúvidas quanto ao tema. “Com o raciocínio que ele construiu, ele soube colocar algumas questões de forma a nos fazer não só saber sobre o racismo institucional, mas também refletir como a gente trabalha isso dentro da gente e externaliza, para não deixar o silêncio reproduzi-lo”, opinou José Vicente.

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