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Saúde de indígenas pode ser favorecida com respeito à diversidade cultural


Publicado em: ExternasRádio - 3 de fevereiro de 2017

Na semana do Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas (7/2), programa de rádio apresenta série especial sobre os serviços de saúde dedicados ao indígena

ImpressãoUma sociedade é composta por culturas e etnias diversas, de modo que o cuidado com a saúde do indivíduo deve contemplar, além do quadro que ele apresenta, sua origem e condição de vida. Pensando na população indígena, também seria ideal que a atenção à saúde dos diferentes grupos étnicos levasse em conta as identidades culturais de cada um deles.

“Um programa de atenção à saúde ou uma organização de atenção à saúde para os não-índios, a mesma que é feita no Sul do Brasil é feita no Nordeste. Eu acho que deveria considerar as particularidades, tende a funcionar melhor”, afirma a professora da Escola de Enfermagem da UFMG e especialista em saúde indígena, Lívia de Errico. “O que funciona na etnia Xacriabá talvez não funcione nos Guarani-Kaiowá, não funcione na etnia Yanomami, então é isso que temos que discutir”, exemplifica a professora.

Para um atendimento eficiente e o intercâmbio cultural saudável é importante, portanto, que o profissional da saúde que oferece serviços de saúde aos povos indígenas esteja bem preparado, conhecendo especificidades da região onde está trabalhando. “É tudo uma questão de compreensão, para que se possa saber como você vai dialogar com um conhecimento adverso do conhecimento no qual você foi formado. Estamos na hora de conhecer e poder construir algo compartilhado, não a gente entregando um serviço de saúde e eles recebendo, mas uma troca, um diálogo, que eles nos ofereçam e a gente aceite e vice-versa”, considera Lívia.

Crédito da foto: projetomemoria.art.br

Crédito da foto: projetomemoria.art.br

Carência de dados

O fato de a população indígena ser muito heterogênea em relação à cultura, costumes e ao contato com outros povos dificulta uma análise uniforme da situação de saúde dos índios no país. Os estudos são fragmentados e mais direcionados a grupos isolados.

Segundo Lívia de Errico, outra questão contribui para a falta de dados sobre o cenário epidemiológico dos indígenas. “Os pesquisadores vão estudar como a obesidade é um problema de saúde na população em geral, eles não vão estudar essa situação nos indígenas”, exemplifica. “Na verdade, você não tem alguém estudando quais são as principais questões indígenas, quais são as doenças, os agravos mais importantes. É numa relação de comparação com a população não-índia”, pontua a especialista.

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 185 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

Redação: Bernardo Estillac | Edição: Lucas Rodrigues

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