Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Sal chega às mesas com menos iodo


Publicado em: Saúde - 22 de julho de 2013

Notícia publicada no Saúde Informa

Teor foi reduzido de 20 a 60 miligramas para 15 a 45 miligramas por quilo

Em julho, começa a valer a determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que estabelece a redução na quantidade de iodo adicionada ao sal produzido no Brasil. A medida, publicada no Diário Oficial da União em 25 de abril, concedeu prazo de 90 dias para que as refinadoras se adequassem à mudança. O teor máximo permitido de iodo no sal foi reduzido de 60 para 45 miligramas por quilo.

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A adição do iodo no sal foi adotada na década de 1950 como estratégia de redução do bócio, doença provocada pela deficiência do nutriente no organismo. No entanto, a quantidade adicionada foi revista, recentemente, em razão das mudanças no padrão de alimentação dos brasileiros. Atualmente, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE), o consumo médio de sal pela população brasileira é de cerca de oito gramas por dia.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde para populações com ingestão de sal em torno de 10 gramas por dia é que a faixa de iodação do sal esteja entre 20 a 40 miligramas por quilo. O Brasil era um dos poucos países que tinha o nível máximo de adição de iodo no sal acima do estipulado pela OMS.

Implicações
O motivo da preocupação é que a ingestão excessiva de iodo pode desencadear, por exemplo, o hipotireoidismo e o hipertireoidismo, que são doenças autoimunes. Trata-se de uma espécie de defeito no sistema imunológico, que reconhece a glândula tireoide como um organismo externo e produz anticorpos para tentar destruí-la. “O iodo não é um causador, mas um acelerador do processo”, afirma o endocrinologista Rodrigo Fóscolo, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG e chefe do Serviço de Endocrinologia do Hospital das Clínicas da UFMG.

Segundo ele, analisar o histórico familiar é uma das formas de identificar essas doenças em quem já tem redisposição. “Se há pessoas na família com problemas na tireoide, há mais chances desse indivíduo
também ter, principalmente se é uma mulher, visto que grande parte das doenças tireoidianas acomete mulheres”, diz.

Entenda as disfunções da tireoide
Causado pela tireoidite de Hashimoto, o hipotireoidismo é uma inflamação que, aos poucos, pode destruir a glândula tireoide. “O paciente terá sintomas como pele seca, intestino preso, batimentos cardíacos mais baixos, lentidão mental. A pessoa fica toda devagar, em câmera lenta”, explica Rodrigo Fóscolo. Porém, com o uso correto de medicamentos prescritos pelo médico, o paciente pode recuperar os mesmos níveis de hormônio tireoidiano de uma pessoa que não porta a doença.

Já no hipertireoidismo, a glândula produz hormônios em excesso, e seu tratamento pode ser um pouco mais complexo, envolvendo métodos que vão além dos remédios. Por outro lado, o diagnóstico pode ser até mais fácil. “Os sintomas envolvem um comportamento mais acelerado, como aumento de sudorese, coração disparado. A pessoa fica agitada, hiperativa”, afirma o endocrinologista.

Sal e pressão arterial

hipertensão

Ilustração: Carina Cardoso

A redução da quantidade de iodo presente no sal não significa que seu consumo esteja liberado indiscriminadamente, até porque o iodo não tem nenhuma influência sobre outra doença: a hipertensão. “A grande maioria de pacientes são hipertensos não pelo grande volume de sangue nas veias, mas sim por sua resistência vascular periférica. Entre diversos fatores, o sódio presente no sal atua no aumento da resistência
vascular, elevando a pressão sanguínea”, alerta a nefrologista Rosângela Milagres, também professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG.

 

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