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Rótulos de alimentos não apresentam informações claras


Publicado em: ExternasRádio - 11 de janeiro de 2019

Brasil tem regulamentação que obriga a presença das informações, mas consumidores têm dificuldades na compreensão das tabelas

*Nathalia Braz

No Brasil, o uso das informações nutricionais obrigatórias nos rótulos de alimentos é regulamentado desde 2001. Mas, depois de 18 anos, os consumidores ainda não encontram informações claras nas embalagens. Entre os principais problemas estão linguagem complicada e letras muito pequenas. Os rótulos são elementos essenciais de comunicação entre produtos e consumidores, e deveriam conter todas as informações para a pessoa avaliar o que consome.

O órgão responsável pela regulamentação é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que tem priorizado ações sobre rotulagem de alimentos para garantir que a população tenha acesso a informações essenciais sobre a composição dos alimentos. Vale destacar a Resolução RDC 360/2003, que torna obrigatória a presença de informação nutricional nos rótulos, contendo informações sobre valor energético, carboidratos, proteínas, gorduras totais, saturadas e trans, fibra alimentar e sódio.  Mas, mesmo assim, algumas informações contidas nas embalagens não são compreendidas pelo público, fazendo com que a lei não seja cumprida corretamente.

Arte: CCS

Para se ter uma ideia, pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) aponta que 40% das entrevistadas têm dificuldade de entender o conteúdo da tabela nutricional. O estudo apontou, ainda, que a leitura dos rótulos não é corriqueira para a maioria: 27% afirmam ler sempre as informações e 51% dizem ler às vezes. A professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG e Coordenadora do Setor de Endocrinologia Pediátrica do Hospital das Clínicas, Ivani Novato Silva, avalia que a leitura deveria ser essencial na hora das compras. “O conhecimento sobre o que está sendo ingerido é muito importante. Não só pela quantidade, por exemplo, do açúcar ou de gorduras, mas também pela presença de várias substâncias que estão presentes na maioria dos alimentos industrializados, como os conservantes e os corantes, que são muito maléficos para a saúde”.

A professora avalia, ainda, que há uma precariedade na forma de apresentação das informações que acaba desestimulando o consumidor. “No geral, os alimentos têm informações nos rótulos, mas alguns deixam a desejar, não só pela clareza: alguns têm letras minúsculas, que ninguém consegue ler. Também são frequentes linguagem e nomenclatura que não são claras e acessíveis para a população”.

Em 2008, a Anvisa publicou o Manual de Orientação aos Consumidores, que traz informações para orientar e ajudar o consumidor na leitura dos rótulos. Algumas dicas da cartilha são importantes para o uso diário, por exemplo: os ingredientes são descritos por ordem decrescente, isto é, o que possui maior quantidade é o primeiro e o que possui menor quantidade é o último. Por isso, de acordo com a professora Ivani, “é importante prestar atenção em tudo que o rótulo informa, para manter uma alimentação saudável e saber exatamente o que está sendo consumindo. Não só a composição do alimento, mas também o que foi adicionado. Por exemplo, a maioria dos sucos de fruta que estão no mercado contém suco de maçã. Isso é uma coisa que as pessoas não se dão conta e acham que estão tomando o suco da fruta que escolheram”.

Relação com o açúcar

Um dos ingredientes que aparece muito na mesa dos brasileiros é o açúcar. De acordo com levantamento do Idec, o Brasil é o quarto país do mundo que mais o consome: em média 12 milhões de toneladas por ano. Além de adoçar o cafezinho, o condimento pode estar escondido em diversos alimentos industrializados, sendo apresentado nos rótulos dos alimentos com vários nomes, como açúcar natural, sacarose e glicose. Por isso, Ivani Nonato ressalta a importância do entendimento do que está escrito: “O problema é a forma e a quantidade que são apresentadas. Às vezes, você tem vários açúcares em um mesmo alimento, cada um com uma proporção. É uma preocupação, pois as pessoas têm que entender o que elas estão ingerindo”.

Foto: Carol Morena

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 187 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.

*Nathalia Braz – estagiária de Jornalismo

Edição: Maria Dulce Miranda

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