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Risco de infarto e males circulatórios podem aumentar no frio


Publicado em: ExternasSaúde - 28 de julho de 2014

Foto: www.freeimages.com

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No inverno é preciso ter cuidado redobrado com a saúde. Isso porque a reação normal do organismo ao frio pode prejudicar o sistema circulatório, e trazer o risco de complicações cardiovasculares.

As baixas temperaturas fazem as artérias se contraírem para ajudar o corpo a reter calor. Como estão mais estreitas, placas de gordura e coágulos (sangue que endurece até ficar sólido) podem bloquear a fluxo sanguíneo para o coração. Embora seja um mecanismo natural de proteção contra o frio, a vasoconstrição, isto é, a diminuição do calibre das artérias, pode aumentar o risco de infarto e derrame.

“A vasoconstrição dificulta a circulação e aumenta o esforço que o coração precisa fazer para bombear o sangue. Isso aumenta a pressão arterial, podendo levar a ruptura de placas de gordura no interior das artérias”, explica a cardiologista Rosália Torres, professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG.

As infecções respiratórias, comuns nessa época do ano, também podem contribuir para eventos cardiovasculares durante o inverno. “Como o organismo reage à infecção como um todo, favorece estado inflamatório que pode afetar as artérias”, diz a especialista.

O alerta é especial para idosos, diabéticos e portadores de aterosclerose. “São pessoas que possuem níveis de gorduras circulantes mais altos, como o colesterol”, esclarece a professora. Quem tem um ou mais fatores de risco, como obesidade, sedentarismo, hipertensão, triglicérides alto ou tabagismo também são mais suscetíveis.

Estudos
Pesquisa realizada por médicos do Instituto do Coração (Incor) analisou a incidência de mortes por infarto do miocárdio em pacientes de São Paulo durante temperaturas altas e baixas. A conclusão do estudo foi de que no inverno, com temperaturas abaixo de 14°C, o número de mortes é 33% maior.

Já pesquisa publicada no British Medical Journal relatou que o risco de infarto chega a aumentar em 30%, e de AVC isquêmico, em 20%. Outra pesquisa realizada pela London School of Hygiene and Tropical Medicine também relacionou a temperatura e o risco de ataque no coração. De acordo com o estudo, a relação é tão estreita que a cada grau a menos em um único dia, há um aumento de 200 casos de infarto.

No Reino Unido, os pesquisadores analisaram dados de 84 mil casos de infartos em hospitais entre 2003 e 2006, e concluíram que os casos aumentaram em 2% duas semanas após forte frente fria atingir a maioria das 15 zonas pesquisadas.

Aqueça
A prática regular de atividade física é grande aliada para prevenir doenças circulatórias, assim como diversas outras. “A atividade física reduz os níveis de colesterol e favorece a circulação”, explica a professora Rosália. Ela acrescenta que em épocas de frio é mais comum o abandono das atividades físicas. “Essa mudança comportamental influencia e, em poucas semanas, o paciente perde sua capacidade funcional”, alerta.

Evitar o consumo de cigarro, hidratar-se e reduzir a ingestão de comidas gordurosas são outras recomendações importantes. E nos dias frios, não se esqueça de proteger o corpo: “Pessoas com risco maior devem se proteger, principalmente na região do rosto e procurar evitar choque térmico ao sair de uma região fria para uma região quente”, diz Rosália Torres.

Extremo frio
O transporte de sangue para as extremidades (mãos e pés) também fica comprometido com o frio. São regiões que possuem vasos e veias mais finos e escassos, que se contraem com as baixas temperaturas.

O professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG, Ernesto Lentz, lembra que o episódio da vasoconstrição foi comum aos soldados que participaram da “guerra das trincheiras”, uma das fases da Primeira Guerra Mundial. “Os soldados ficavam escondidos nas trincheiras, em locais muito frios. Como não havia nenhuma proteção, sofriam uma vasoconstrição, que levou a gangrena em muitos casos”, conta.

Um dos sintomas da diminuição da circulação sanguínea é a alteração da cor da pele das extremidades, que podem ficar arroxeadas ou pálidas. “É uma situação que causa incômodos. É preciso ter cuidado e se proteger do frio. E é claro, essa sensibilidade varia de pessoa para pessoa”, diz.

Ernesto Lentz explica que existe uma doença, conhecida por “Fenômeno de Raynaud”, que também leva a essas alterações. “Ocorre um exagero na resposta às baixas temperaturas. A doença tem como origem a hipersensibilidade do organismo ao frio. Com isso, a sensibilidade em regiões como pés e mãos diminui e pode haver formigamentos”, esclarece.

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