Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Estudo destaca consequências positivas das ações resolutivas da Atenção Primária à Saúde (APS) em Belo Horizonte. Entre elas, a redução de 37,8% no número de internações por condições sensíveis nas áreas cobertas pela Estratégia de Saúde da Família

 

A criação do SUS determinou a concepção da Atenção Primária à Saúde (APS), também conhecida como Atenção Básica. A mesma época influenciou a criação dos nove distritos sanitários de Belo Horizonte compostos por 147 centros de saúde, porta de entrada para o Sistema Único. Com a tradição de investir na área, em 2002 a capital mineira tornou- se uma das pioneiras ao implantar a Estratégia de Saúde da Família (ESF) como modelo para organizar a APS. Depois de um ano, o município já apresentava cobertura quase total com as equipes de saúde da família nas áreas de muito elevado, elevado e médio risco. E ao longo desses 10 anos de implantação houve uma redução 37,8% no número de internações por condições sensíveis à atenção primária nas áreas cobertas pela Estratégia de Saúde da Família, o que indica a melhoria da resolutividade da APS.

Quem conta essa história é a cirurgiã dentista Ana Pitchon que trabalhou por cinco anos na Assessoria da Gerencia de Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte. Inclusive, também utilizou das experiências para desenvolver sua dissertação de mestrado defendida junto ao Programa de Pós-Graduação Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina da UFMG.

Pitchon analisou e acompanhou as Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP) para avaliar a resolutividade da APS nos distritos sanitários de Belo Horizonte. Ela explica que essas condições sensíveis são um conjunto de condições de saúde que respondem bem aos cuidados do nível primário de atenção, como as relacionadas à diabetes ou hipertensão, por exemplo. “Quando você oferece na APS um acesso no momento adequado, com um serviço de qualidade e resolutivo, os riscos de internação por essas condições são reduzidos”, disse.

Ela conta que irá apresentar o trabalho para os técnicos e gerentes da Secretaria Municipal de Saúde e espera que os caminhos apontados possam contribuir para o aprofundamento das pesquisas. “Os resultados podem ser um incentivo na orientação desses profissionais para reorganização e enfrentamento de problemas assistenciais”, concluiu.

Indicadores
A pesquisadora relata que um dos resultados mais importantes da análise foi verificar que, ao longo de 10 anos desde a implantação da ESF, o município também investiu na diretriz de atender aos casos agudos, o que possibilitou mais resultados positivos. Segundo ela, um dos diferenciais desta dissertação foi relacionar as ICSAP com as atividades desenvolvidas pelas equipes de saúde da família, como consultas médicas, consultas de enfermagem, atendimentos de urgência e visitas domiciliares. “Percebemos que o aumento da oferta destes serviços na APS pode estar relacionado com a redução de internações por essas condições.

Esse também é um indicativo da intensificação da vigilância no território. Com mais visitas domiciliares consegue-se identificar mais precocemente os problemas”, explicou Pitchon.

Além do aumento de 74% na média de visitas domiciliares por habitante acompanhado pela ESF, outros resultados expressivos mostraram o crescimento de 12% na média de consultas de enfermagem; 14,17% das consultas médicas, 200% na média de atendimento de urgências ao longo da década. As variáveis analisadas sugerem, ainda, que a ESF possibilitou aumento na oferta e acesso aos serviços, contribuindo para a redução das ICSAP no município.

Em relação aos distritos, percebeu-se uma tendência ascendente no número de atendimentos de urgência nas regiões leste e nordeste e uma ascendência significativa nas consultas de enfermagem na regional norte. Mas, para Pitchon é necessário aprofundar as pesquisas sobre cada uma dessas variáveis para podermos concluir o fator determinante.

Desenlace
Ana afirma que esses resultados, agregados aos indicadores que relacionam o impacto positivo da ESF na saúde da população brasileira, são evidencias que se somam à escolha acertada pela Estratégia da Saúde da Família como modelo preferencial de organização da Atenção Primária no Brasil. Os dados também mostram que Belo Horizonte é uma referência deste modelo no país.

“Acredito que a variável do aumento da média de atendimento de urgência na APS seja importante tanto para o estudo, como uma diretriz a ser investida pelos municípios. Às vezes se questiona que a Atenção Primária é só para prevenção, mas sabemos que no momento que as pessoas mais precisam acabam procurando a própria equipe da APS por já terem desenvolvido um vínculo”, argumenta Pitchon. “Então o fato da Atenção Primária estar preparada para receber estes casos agudos de forma resolutiva foi demonstrado como uma estratégia efetiva pelos índices encontrados neste trabalho”, completou.

Título: A Estratégia de Saúde da Família e sua relação com as internações por condições sensíveis à Atenção Primária no município de Belo Horizonte, MG
Nível: Mestrado
Autora: Ana Pitchon
Orientadora: Efigênia Ferreira e Ferreira
Programa: Promoção da Saúde
Defesa: 29 de agosto de 2014

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