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Resistência e imaginário prejudicam saúde dos homens


Publicado em: Divulgação CientíficaExternas - 18 de junho de 2015

*Matéria publicada na edição 44 do Saúde Informa

Maior busca de prevenção e acompanhamento médico por mulheres garante vida mais longa se comparada aos homens

lustração JulianaHomens morrem mais cedo que as mulheres. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), eles vivem seis anos a menos que elas. Para Jose Rodrigo da Silva, autor de um estudo defendido junto ao programa de pós-graduação em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina da UFMG, uma das causas desses índices pode ser a resistência masculina na procura pelos serviços de saúde. “Os resultados demonstraram que a baixa adesão aos serviços de atenção básica está fortemente ligada a questões referentes ao imaginário masculino e à manutenção desse ideal invulnerável”, explica.

A pesquisa, realizada no município de Ribeirão das Neves, revelou fatores que prejudicam ações de autocuidado na saúde masculina: as barreiras encontradas na busca pelo serviço, a atuação do profissional na atenção à saúde do homem e o imaginário masculino. “A maioria dos pesquisados conceituou a violência como somente agressões físicas, não citando a violência psicológica, simbólica ou a autoviolência. E eles a perpetuam, praticando ou revidando-a”, expõe o pesquisador.

Segundo dados do “Perfi l da situação de saúde do homem no Brasil”, do Ministério da Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz e do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), para cada consulta masculina realizada no país realizam-se 71 consultas femininas. “Muitas vezes, os homens negam a existência de dor ou sofrimento para reforçar um ideal de força e masculinidade, ignorando ações de prevenção e promoção da saúde”, explica o autor.

Dificuldades
Outro fator relatado entre os entrevistados foi a dificuldade em procurar os serviços de saúde. Os horários de atendimento das instituições públicas mostraram-se incompatíveis a essa população, em sua maioria inserida no mercado de trabalho no mesmo horário. Nos centros de saúde com atendimento 24 horas, a falta de profissionais e a demora nos atendimentos foram apontados como causas da evasão. “Eles preferem farmácias e serviços de emergência, de assistência mais rápida”, conta o pesquisador.

Os usuários ainda ressaltaram a necessidade da qualificação dos profissionais ao atendimento, numa preparação para lidar e atender demandas específicas dos homens. Fatores ambientais, como a decoração das salas de espera, também foram apontados como dificultadores no acesso aos serviços de saúde, já que são, em sua maioria, voltados ao público feminino ou infantil.

Para o pesquisador, é preciso ações articuladas, com políticas de saúde masculina e campanhas educativas para a disseminação da importância do autocuidado, além do apoio dos gestores públicos e da população em geral.

“Essa não adesão dos indivíduos é uma das maneiras indiretas dos homens pedirem ajuda da sociedade para quebrar o paradigma da invulnerabilidade. Um homem não se torna menos homem por procurar os serviços de saúde. É preciso entender que eles sofrem dos mesmos problemas que o sexo feminino”, opina Jose Rodrigo.

Título: Violência e saúde do homem: análise dos fatores dificultadores no processo de autocuidado

Nível: Mestrado

Autor: Jose Rodrigo da Silva

Orientador: Paulo Roberto Ceccarelli

Programa: Promoção da Saúde e Prevenção da Violência

Defesa: 2 de dezembro de 2014

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