Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Remédio na hora certa e na dose exata


Publicado em: Saúde - 11 de setembro de 2013

Não seguir à risca as orientações médicas, tomar remédios sem prescrição médica, com receitas repetidas, e ainda aumentar ou reduzir a dose do medicamento por conta própria. Estas posturas podem prejudicar a recuperação e, até mesmo, piorar o quadro clínico do paciente, alertam especialistas.

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As negligências mais comuns no tratamento envolvem medicamentos para doenças cardiovasculares, hipoglicemiantes, além dos analgésicos. “Esses somam mais de 85% dos casos”, calcula a médica do Hospital das Clínicas da UFMG, Cristina Barbosa. Ela acrescenta que não seguir adequadamente o tratamento pode ser ainda mais perigoso quando o paciente é idoso ou usa múltiplos medicamentos.

São várias as situações de perigo. Em tratamentos com antibióticos, por exemplo, o uso inadequado pode promover a seleção de germes resistentes e aumentar o risco de infecção. Em casos mais graves, como tumores, o abandono do tratamento com quimioterápico pode resultar no retorno da doença. “Vários profissionais da área de saúde estudam formas de evitar essa postura. Nos Estados Unidos e também no Brasil existem, inclusive, organizações sem fins lucrativos que promovem a prática segura no uso de medicamentos”, relata Cristina.

Na medida certa

Os horários para tomar os remédios também precisam ser respeitados. Cada medicamento tem suas características farmacológicas próprias, com um determinado tempo de ação. “Somente respeitando esse tempo é possível ter o efeito desejado”, afirma o professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Antônio Ribeiro de Oliveira Júnior.

De acordo com ele, é razoável uma variação de até uma hora para mais, ou para menos, na administração dos medicamentos. Quando se extrapola esse limite, os prejuízos já podem ser observados.

Outra prática comum é aumentar a dose do medicamento para obter efeitos mais rápidos ou adiantar o tratamento. Porém, como eles são metabolizados principalmente pelo fígado e rins, a substância em excesso pode ser acumulada no organismo e causar intoxicação.

Bom relacionamento

Para Cristina Barbosa, uma boa relação entre médico e paciente é a principal medida para evitar esses tipos de falhas. “O paciente precisa informar aos médicos todos os medicamentos em uso. É muito comum o paciente ser acompanhado por mais de um especialista, e não informar quais medicamentos o outro profissional prescreveu. Além disso, ele deve informar sobre algum efeito colateral”, orienta.

Entretanto, a responsabilidade não é só do paciente. O médico deve oferecer espaço para que o paciente tire dúvidas especificas sobre a medicação. “Um dos principais problemas referentes ao uso incorreto da medicação é a ineficiência da comunicação entre o médico e o paciente”, alerta o professor Antônio.

A educação do paciente deve ser iniciada antes do tratamento, com explicações sobre o motivo do uso do medicamento e quais os efeitos colaterais previstos. “O paciente também deverá ser informado sobre quais efeitos são mais sérios e que merecem comunicação imediata ao médico ou visita ao pronto-socorro”, conclui o professor.

 

 

 

 

 

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