Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Quando o que cura passa a matar


Publicado em: NotíciasSaúde - 11 de Abril de 2013

O uso excessivo de medicamentos como paracetamol e aspirina causa danos irreversíveis ao fígado, e o processo de intoxicação pode ocorrer em espaços curtos de tempo – de horas a semanas após a ingestão da sobredose, alertam pesquisadores da UFMG em artigo de capa da revista Ciência Hoje deste mês.

Os autores do artigo Quando o que cura passa a matar são o professor Gustavo Batista Menezes, do Departamento de Morfologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), e seus alunos Pedro Elias Marques e André Gustavo Oliveira. “Procuramos escrever em linguagem acessível ao grande público”, explica Menezes.

O texto informa que embora em todo o mundo sejam adotadas medidas importantes com o objetivo de restringir o acesso e conscientizar a população para os riscos, os medicamentos mais ‘simples’ podem ser adquiridos com extrema facilidade, muitas vezes sem receita médica ou até pela internet.

Segundo os autores, no Brasil mais de 92 milhões de comprimidos de aspirina (marca comercial mais famosa do analgésico ácido-acetilsalicílico) foram consumidos em 2009, enquanto no mundo são vendidas cerca de 216 milhões de unidades por dia.

“Vale lembrar que esses números dizem respeito a apenas um tipo de analgésico, e de uma só marca, mas permitem ter uma noção da quantidade absurda que seria atingida somando-se todos os remédios consumidos rotineiramente, como os que controlam a pressão arterial, os antibióticos, os redutores de colesterol e vários outros”, diz o artigo.

Pesquisadores do Laboratório de Imunobiofotônica do ICB, os autores destacam que “quem ‘paga a conta’ nessa história é o fígado”, já que grande parte do que é absorvido pelo sistema gastrointestinal humano é drenado diretamente para esse órgão pela veia porta, antes mesmo de atingir a circulação geral.

Segundo eles, quando presente em excesso no organismo, o paracetamol é transformado pelos hepatócitos em uma substância bastante tóxica, capaz de matar essas células, levando à falência do fígado. Uma vez que o órgão é danificado a ponto de entrar em falência, a única opção para salvar a vida do indivíduo é o transplante hepático.

O artigo ressalta que vários pesquisadores têm se dedicado a determinar de modo preciso como os medicamentos danificam os hepatócitos e quais as alternativas possíveis para tratar esse tipo de lesão. “São três as principais linhas de pesquisa nessa área: a primeira busca antídotos para a intoxicação por essas substâncias, a segunda sugere o tratamento de outros órgãos (como cérebro e rins) que sofrem com a lesão hepática e a terceira investiga a possível participação do sistema imunológico na lesão hepática”.

Um dos trabalhos citados refere-se a estudos do grupo do Laboratório de Imunobiofotônica, na UFMG, coordenado por um dos autores (Gustavo Menezes). A pesquisa tem mostrado que medicamentos capazes de inibir o reconhecimento, pelo sistema imunológico, de produtos da morte celular – em especial os derivados de mitocôndrias (organelas que produzem energia nas células) – são promissores para uso futuro como auxiliares no tratamento de lesões hepáticas.

Leia o artigo na edição de abril da revista Ciência Hoje

(Centro de Comunicação da UFMG)

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