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Projeto mescla voluntariado, assistência e educação no Vale do Jequitinhonha


Publicado em: ExtensãoExternas - 15 de setembro de 2017

Estudantes e professores promoveram atendimento e ações educativas junto a comunidade do nordeste de Minas

O estudante Lucas Carneiro em atendimento. Foto: arquivo pessoal.

Aproveitando o período de férias acadêmicas em julho deste ano, uma equipe de estudantes do curso de Medicina da UFMG, acompanhados e orientados pelos professores do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG (CLM), Bruno César Lage Cota e Luís Felipe José Ravic de Miranda, realizou ações de atendimento primário de saúde, educação e convivência junto à comunidade de Ponto dos Volantes, no Vale do Jequitinhonha.

As atividades são parte do projeto de extensão “Cuidando da sua saúde em Ponto dos Volantes”, que reuniu, de 24 a 28 de julho, 19 estudantes do 5º ao 11º período do curso na cidade, no município de Ponto dos Volantes, que tem pouco mais de 11 mil habitantes, sendo mais de sete mil residentes da zona rural. Segundo o professor Luís Felipe, o projeto foi estruturado com a proposta de incentivar e iniciar o voluntariado junto aos alunos e, simultaneamente, traçar um perfil das pessoas atendidas, verificando a escolaridade, as comorbidades, bem como a adesão ao tratamento dos pacientes.

Para a aluna Fernanda Amorim, os projetos de extensão são essenciais para inserir o estudante em uma realidade diferente da dele e da universidade. “Em cursos da Saúde, que lidam diretamente com as pessoas, esses projetos possibilitam expandir a visão sobre o ser humano. O estudante vai até a população e tem a oportunidade de conhecer o ambiente daquele paciente, de maneira que dificilmente conseguiria compreender dentro de um consultório”, ressaltou a aluna, que acredita que em carreiras que lidam com o ser humano, é essencial que a assistência tenha um papel central na formação.

O professor Ravic com os alunos Ana Paula, Lucas e Nathanna, abaixo, e Pedro, Vitor, Gustavo Antunes, Maria Isabel, Gustavo Couto e Maria Padovani, na Igreja Matriz. Foto: arquivo pessoal.

O estudante Pedro Henrique de Almeida Andrade, concordando com a colega, considerou a participação no projeto como forma de mensurar se está apto a colocar em prática o que aprende na Faculdade. “Vimos e convivemos com uma realidade nova, que não temos contato aqui”, relatou Mateus Pinto Ribeiro, se referindo a um contato próximo com pacientes de classe econômica E, que não tinham contato com médicos. “Às vezes o mínimo que nos dispomos a fazer já é muito para essas pessoas, e essa é uma excelente forma de usarmos o nosso tempo”, opinou.

Assistência e educação
Foram, no total, 88 atendimentos de adultos e idosos da região, realizados nas áreas urbana e rural do município, sempre coordenados e orientados pelos professores e auxiliados pelos profissionais do município. Além desses, 33 procedimentos também foram realizados no ambulatório de pequenas cirurgias.

Os estudantes promoveram ainda aulas para pacientes nas unidades de Saúde. De acordo com Nathanna Maciel, uma das estudantes voluntárias, a região tem alta taxa de analfabetismo e de desconhecimento da própria condição de saúde-doença. “Foram aulas simples, que atingiram o objetivo de conscientização e esclarecimentos sobre os temas”, explicou a estudante.

A experiência foi determinante para mudar a visão da aluna Maria Isabel Guedes sobre a vida e condições de trabalho no interior, principalmente devido à infraestrutura dos ambulatórios e ao acolhimento por parte das equipes locais. “Percebi que o simples fato de ouvir e atender com atenção é suficiente para os pacientes terem uma gratidão enorme por nós. Sem dúvida, tive um ganho importante nos âmbitos educacional e pessoal que serão refletidos no meu futuro enquanto profissional”, contou.

O professor Bruno com os alunos Rafael, Lucas, Nathanna, Fernanda, Mateus, Hugo e Pedro na região de Santana. Foto: arquivo pessoal.

Os alunos também realizaram duas aulas magnas: uma para idosos, sobre envelhecimento, e outra para as equipes de saúde, sobre ética e humanização na medicina. “O objetivo era deixar um impacto depois que a equipe fosse embora, para que os temas abordados não deixassem de ser atendidos de forma resolutiva”, completou Nathanna. Para a estudante Lívia Calastri, a educação do paciente sobre sua condição de saúde, doença, medicamentos e tratamento é fundamental para uma melhor adesão e também para uma melhor relação médico-paciente. “Com isso, conseguimos realizar uma assistência de qualidade”, avaliou.
Para Nathanna, as aulas tiveram o impacto positivo desejado e aumentaram a interação da população com as equipes de saúde locais. “Os atendimentos foram efetivos, elogiados e completos, visando a encaminhar à resolução o maior número de pacientes possível”, avalia. Lívia Calastri acredita que a experiência pode ser útil, inclusive, no seu futuro como profissional. “Pretendo trabalhar um tempo em centros de saúde no interior e, apesar de também querer me especializar, gostaria de realizar outros projetos como esse, já como médica”, considera. Pedro Henrique Andrade espera que a iniciativa continue, como uma tradição a ser firmada. “O mais importante é o legado que fica. Quando dissipamos o bem, há uma reação em cadeia”, considerou.

 

Inspiração
O professor Luís Felipe conta que a ideia surgiu inspirada por uma ação de voluntariado praticada por um amigo anualmente, na época do Natal, sempre em um município diferente. Em 2016 a cidade sorteada foi Ponto dos Volantes, e surgiu o convite para acompanhá-lo. À época, Luís Felipe contatou prefeitura e profissionais de Saúde da região “Nos acolheram de braços abertos, com a hospitalidade e afeto próprios da região”, lembra.

Equipe reunida em frente ao ambulatório rural. Foto: Arquivo pessoal.

Com o projeto já estruturado e aprovado pelo Departamento de Clínica Médica, foram realizadas reuniões de preparação para orientações antes da viagem. “O clima de envolvimento dos alunos foi surpreendente”, contou o professor, reforçando o ambiente de alegria, descontração, ao mesmo tempo de trabalho e dedicação, com momentos de trabalho e diversão, que propiciaram o estabelecimento de atmosfera fraterna entre os participantes.

De acordo com Luís Felipe Ravic, a ideia é manter a parceria com o município para repetir as atividades nos próximos anos, sempre em julho. Ele acredita ainda que há a possibilidade de ampliação das ações para outros municípios.

Para a estudante Rebeca Campos, participar do projeto reafirmou a certeza da escolha da profissão. “Ajudar os outros e ver como podemos melhorar a vida das pessoas como médicos já era uma realidade da Faculdade de Medicina, mas a proporção que alcançamos isso durante esse projeto não tem precedentes”, exaltou a aluna.

 

Acesse o relatório completo (arquivo em .pdf).

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