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Profissionais e alunos defendem educação continuada e união

Temas foram abordados em evento realizado na Faculdade de Medicina da UFMG


    07 de novembro de 2019 - , , , ,


    O dia 8 de novembro é celebrado como o Dia Internacional da Radiologia. A data é marcada pela descoberta dos raios X por Wilhelm Conrad Röntgen, em 1895. Este ano, a comemoração acontece uma semana após o 1º Fórum Mineiro das Técnicas Radiológicas, realizado em 1º de novembro na Faculdade de Medicina da UFMG, em parceria com o Conselho Regional de Técnicos em Radiologia de Minas Gerais (CTRT3).

    Para os alunos, profissionais e professores presentes no Fórum, os dois maiores caminhos para o crescimento individual e coletivo da profissão, hoje, são a educação continuada e o fortalecimento da união entre profissionais. “Esses dois aspectos devem receber atenção ainda dentro da graduação”, afirma a aluna do 7º período do curso de Tecnologia em Radiologia da Faculdade, Bianca Viana Sabino.

    A Lacard

    A presidente da Lacard, Bianca Sabino, apresentou a Liga durante o Fórum Mineiro das Técnicas Radiológicas. Foto: Carol Morena.

    Bianca é presidente e membro fundadora da Liga Acadêmica de Ciências Radiológicas (Lacard). A entidade, criada em 2018, é a primeira liga acadêmica de Radiologia do país. “A Lacard tem o papel de, junto com o Diretório Acadêmico Marie Curie (DAMC), trazer esses aspectos de educação continuada e unificação para dentro da Faculdade”, explica.

    A Lacard promove atividades como mesas redondas, palestras e visitas técnicas para instruir os alunos sobre áreas de atuação que estão disponíveis aos profissionais, mas que não são abordadas no currículo. “A radiologia forense, por exemplo, é um dos temas que os alunos sentem falta. A liga então se mobilizou e trouxemos o Leanderson Sá, chefe do Serviço de Radiologia Forense do IML de Belo Horizonte”, conta Bianca. Com isso, a Lacard conseguiu estabelecer um vínculo de estágio para os estudantes. “Eu acredito que esse é o nosso trabalho: abrir as portas e mostrar aos alunos que eles podem mais. Existem muitas outras áreas pelas quais eles podem se interessar e ter vontade de atuar”, conclui.

    Sendo a primeira do Brasil, a Lacard serviu também de modelo para a criação da segunda liga acadêmica de radiologia, fundada na Bahia. “Foi muito interessante, porque o professor nos viu apresentar um trabalho em congresso e entrou em contato para conversar”, conta a presidente Bianca.

    Com a proximidade, os alunos baianos tiveram acesso ao estatuto da Lacard, cuja criação foi uma das dificuldades encontradas pelos fundadores da Liga, já que não tinham uma fonte de inspiração na área de radiologia. “Foi importante para eles terem esse acesso e para nós também, pois é muito gratificante se sentir prestigiado dessa forma. Ver que o seu trabalho está influenciando outras pessoas dessa forma”, afirma a estudante.

    “O crescimento que os alunos apresentam ao participar da Liga é perceptível, em termos de maturidade, de responsabilidade. Isso para mim é engrandecedor, nós devemos incentivar e apoiar, enquanto professores”, conta a professora do Departamento de Anatomia e Imagem da Faculdade de Medicina e coordenadora da Lacard, Críssia Paiva Fontainha. Ela afirma que a Liga trabalha com os alunos o desenvolvimento de competências que vão além do saber puramente científico, como a autonomia, a capacidade de gerência, a busca de novas oportunidades e a união profissional.

    Fórum Mineiro de Técnicas Radiológicas

    O aspecto da união foi abordado no Fórum também sob a ótica da humanização dos profissionais. “Sempre que se tem uma profissão nova, como o tecnólogo, que ainda está sendo sedimentada no mercado de trabalho, existe certo desconhecimento”, afirma Críssia, que também é membro da Comissão Regional de Educação (Cored) do CRTR3. Ela entende que ainda existe mistificação social quanto ao tema da radiação.

    Professora Críssia Paiva durante o Fórum. Foto: Carol Morena.

    “É através de momentos de aproximação com a sociedade, como o Fórum, que podemos criar mecanismos para quebrar o misticismo e humanizar os profissionais”, conta Críssia. Na visão dela, em função de os agentes de radiologia serem profissionais de atenção secundária, o contato e convívio com a população é mais distante. Em decorrência disso, o distanciamento pode acabar por desumanizar o trabalhador.

    De acordo com a professora, os profissionais da área por muito tempo estiveram dispersos na sociedade. “Precisamos começar uma base forte de união, que precisa ser criada ainda nas instituições de ensino. Esses assuntos precisam ser tratados desde já, aqui”, defende Críssia. A professora considera movimentos como a Lacard e o DAMC exemplos de ações de unificação e aprimoramento. Suscitados pelos próprios alunos, eles encontraram na Universidade um espaço de apoio e encorajamento para se desenvolver.

    Confira a galeria de imagens do Fórum Mineiro das Técnicas Radiológicas:

    Fotos: Carol Morena.

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