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Professoras são mais sensíveis ao sofrimento de alunos – Faculdade de Medicina da UFMG

Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


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Professoras são mais sensíveis ao sofrimento de alunos


Publicado em: Divulgação CientíficaExternas - 24 de novembro de 2017

Gênero e tempo de docência parecem influenciar na percepção do sofrimento psíquico dos estudantes de Medicina da UFMG

 

Estudo inédito, defendido em 2016 pelo Programa de Pós-graduação em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina da UFMG, avaliou que professoras com mais tempo de docência tendem a perceber, a se compromissar e tomar atitudes, com uma maior frequência, frente aos sinais de sofrimento psíquico demonstrados por estudantes do curso de Medicina da UFMG.

Psicóloga do Napem, Maria Aparecida Miranda da Silva. Foto: Carol Morena.

A pesquisa foi realizada por Maria Aparecida Miranda da Silva, psicóloga do Núcleo de Apoio Psicopedagógico aos Estudantes da Faculdade de Medicina da UFMG (Napem), onde atende alunos com diferentes graus de sofrimento psíquico.

De acordo com a pesquisadora, o sofrimento psíquico pode ser resultado de vários fatores interligados relacionados a vida familiar, social, acadêmica ou profissional, nunca é fruto de um uníco fator isolado. “O sofrimento psíquico quando não tratado pode resultar em um quadro mais grave, que pode colocar em risco a saúde física, mental e até a própria vida da pessoa”, alerta a psicóloga. “Precisamos também acabar com o mito de que o curso de Medicina por si só, adoece a pessoa. O aluno chega à Faculdade já com uma história e uma bagagem. Em seu percurso ele pode encontrar situações de estresse que servirão de gatilho para desencadear o sofrimento psíquico”, explica.

Para Maria Aparecida, professores podem ser parceiros muito importantes no que tange  a melhoria da qualidade de vida dos alunos bem como  do ambiente acadêmico. “Se o docente tem um olhar mais sensível às questões emocionais, ele pode identificar, com mais facilidade, sinais e mudanças de comportamento em seu aluno como por exemplo: isolamento, apatia, falta de frequência nas aulas, etc, e dessa forma, ele pode conversar e verificar junto ao aluno o que está acontecendo e  sugerir que ele procure  as instâncias de acolhimento emocional existentes na própria faculdade, exemplifica.

Tempo de docência
Segundo a pesquisadora, professoras com mais tempo de docência demostraram perceberem mais o sofrimento psíquico dos alunos, o que sugere um maior envolvimento em auxiliá-los na resolução dessas questões.  Nesse grupo, 100% das entrevistadas afirmaram que já tiveram contato com alunos que apresentaram algum tipo de dificuldade emocional, enquanto os professores com menos tempo de docência foram os que apresentaram menor indicador. “São os homens que afirmaram, em maior frequência, desconhecerem  a existência de problemas emocionais entre os seus alunos”, conta Maria Aparecida.

Outra questão apontada pela pesquisadora é a pressão exercida junto aos docentes, principalmente os que estão em início de carreira, para a realização de pesquisas e publicação de artigos. Segundo ela, a valorização na carreira está muito atrelada a execução dessas atividades. “Dessa forma, muitas vezes, o ato de ensinar e o ato de acompanhar o percurso dos alunos se torna secundário para o reconhecimento profissional dos docentes, o que pode dificultar a percepção de situações que envolvam sofrimento psíquico entre os alunos”, justifica.
Metodologia
O estudo é transversal e quantitativo, e o tamanho da amostra foi calculado considerando um total de 335 docentes do curso de Medicina, sendo 178 professores e 157 professoras, atuantes em janeiro de 2015. O sorteio, aleatório, considerou quatro segmentações, de acordo com gênero e docência: feminino/masculino, com até/mais de 10 anos de docência. A amostra final foi de 102 docentes.

Foi elaborado um questionário autoaplicativo de 28 itens, com cinco opções. Ao final, 79 docentes responderam ao questionário. Os grupos foram avaliados a partir de quatro indicadores: percepção de sofrimento psíquico (IPSP), compromisso do professor com as dificuldades emocionais do estudante (ICDE), atuação frente ao sofrimento psíquico (IAPS) e indicador geral (IG). Além disso, algumas questões foram analisadas em separado por se tratarem de vivências pessoais dos professores

Bullying e acolhimento psicológico
Apesar de 84,8% dos entrevistados, homens e mulheres, afirmarem que já tiveram alunos com dificuldades emocionais, menos da metade percebe a existência da prática do bullying na instituição. Novamente as mulheres se mostraram mais sensíveis a essa percepção, chegando a 68,4% no grupo de professoras com mais de 10 anos de docência.

Maria Aparecida explica que existem diversas formas bullying e que ele pode acontecer numa relação que envolva poder, por exemplo, de professor para aluno ou  mesmo entre pares. “Abusos físicos e mentais, intimidações e constrangimentos envolvendo gênero, raça,  uso de apelidos preconceituosos, exposição de situações intímas de uma pessoa para os colegas, inclusive utilizando as redes sociais são formas de bullying que podem levar ao sofrimento psíquico”, enumera.

A autora detectou que 16,5% dos professores desconhecem as instâncias institucionais de acolhimento psicológico para os estudantes, como o Napem e a Escuta Acadêmica, o que pode dificultar o encaminhamento desses alunos para uma possivel resolução de suas dificuldades emocionais.

Suporte emocional ao docente
Maria Aparecida Miranda acredita que muitos podem ser os motivos pelos quais os professores com menos tempo de docência têm um desconhecimento maior sobre o assunto. “Existe uma pressão muito grande para a produção científica, uma vez que os critérios de reconhecimento profissional e progressão na carreira estão baseados na quantidade de pesquisas e artigos desenvolvidos pelos docentes. Infelizmente, ser um bom professor ou professora ainda é pouco valorizado em termos de critério para ascensão na carreira”, constata a pesquisadora.

Outro ponto importante detectado na pesquisa foi que 76% dos entrevistados entendem como importante a criação de um núcleo de apoio às questões emocionais dos professores na Faculdade. “Os professores estão demandando um espaço de acolhimento e de reflexão, uma espaço onde possam, também, ser escutados,” disse Maria Aparecida.

Apesar do estudo apresentar algumas  limitações, como a falta de pesquisas  que abordem esse assunto na literatura e  a ausência de instrumentos validados para a medição dos indicadores, Maria Aparecida destaca que a pesquisa levantou questões importantes e que devem continuar sendo estudadas e avaliadas dentro da Faculdade, com a apresentação de propostas que possam melhorar a qualidade de vida de todos. “Situações de assédio e bullying ainda permanecem negadas por alguns docentes e, além disso, muitos ainda não percebem que  atitudes próprias, mesmo involuntárias, podem estar causando algum tipo de sofrimento psíquico em seus alunos”, conclui a pesquisadora.

Título: A percepção dos professores do curso de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais em relação ao sofrimento psíquico de seus alunos
Nível: Mestrado
Autora: Maria Aparecida Miranda da Silva
Orientadora: Maria Mônica Freitas Ribeiro
Coorientador: Marcelo Grossi Araújo
Programa: Promoção da Saúde e Prevenção da Violência
Defesa: 3 de junho de 2016

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