Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


A endometriose, doença associada a dores crônicas e até mesmo à infertilidade em mulheres, é tema de um guia de orientação para médicos e profissionais de saúde, apresentado na edição de abril da revista Human Reproduction, publicação da Universidade de Oxford. As recomendações foram elaboradas por meio de um consórcio organizado pela Sociedade Mundial de Endometriose, com a participação de 56 especialistas, representantes de 34 instituições internacionais.

“Embora seja conhecida há mais de um século e acometa milhões de mulheres, a endometriose ainda é considerada uma doença cheia de mistérios. Suas causas ainda não estão completamente esclarecidas, o diagnóstico tem grandes desafios e o tratamento suscita controvérsia”, afirma o professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG, Fernando Reis, um dos três brasileiros escolhidos para participar da elaboração das novas diretrizes.

Etapa presencial do processo de discussão e elaboração do consenso sobre endometriose foi realizada em Montpellier, na França. Foto: arquivo pessoal

Dentre as principais recomendações incluídas no documento, apontadas por Fernando Reis, está a necessidade de uma mudança de mentalidade em relação ao diagnóstico da endometriose. “Embora a doença só possa ser confirmada de forma inequívoca por uma intervenção cirúrgica, ela pode ser presumida e tratada empiricamente em mulheres com dor pélvica crônica nas quais outra causa não tenha sido detectada”, explica Fernando Reis. Nestes casos, o tratamento poderia ser iniciado com medicamentos de baixo custo e alto perfil de segurança, ainda na atenção primária. Já as situações que requerem tratamento cirúrgico imediato ou tratamento da infertilidade e aquelas de resposta insatisfatória ao tratamento farmacológico inicial deveriam ser encaminhadas para especialistas e centros de referência.

O documento da Sociedade Mundial de Endometriose também recomenda atenção especial no acompanhamento pré-natal de mulheres com história de endometriose, já que estudos comprovam que elas têm risco aumentado de complicações obstétricas. A diretriz ressalta ainda a importância de orientar as mulheres que sofrem de cólicas e dores pélvicas a procurarem ajuda médica, uma vez que a endometriose pode ter início já na adolescência e muitas mulheres só são diagnosticadas depois de anos de sofrimento, por acreditar que essas dores seriam “normais”.

 

 

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