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Universidade Federal de Minas Gerais


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Primeiros socorros para acidentes domésticos


Publicado em: ExternasSaúde - 24 de novembro de 2014

1sAbandonar antigos tabus é fundamental na hora de praticar primeiros socorros após pequenos acidentes domésticos, especialmente com crianças. Usar borras de café, açúcar ou qualquer outro tipo de produto para ‘estancar’ os cortes são exemplos de práticas que podem trazer risco à saúde da criança. De acordo com a professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade UFMG, Egléa Maria de Cunha Melo, essas substâncias podem estar sujas e provocar infecções no local.

Em acidentes com pequenos cortes, a professora orienta os pais a lavar o local com água e sabão até retirar toda a sujeira, bem como fazer compressão com pano limpo por quatro minutos. “Quando os ferimentos são maiores, os pais também devem lavar com água e sabão, comprimir e encaminhar a criança para Serviço de Urgência, levando a carteira de vacinação”, diz Églea.

Saiba mais sobre as atitudes mais adequadas a serem tomadas nesses momentos.


Traumas

As lesões mais comuns em crianças de 2 a 4 anos são as provocadas por quedas.

Com o aparecimento do famoso ‘galo’, inchaço causado no local do trauma, alguns pais recorrem a produtos que parecer ser milagrosos como vinagre, clara de ovos ou pasta d´água.

Mas a única receita capaz de diminuir o edema é a compressa fria ou com gelo enrolado em uma toalha. “Outra questão importante é observar a criança nas primeiras 24 horas. Se ela vomitar ou ficar com sonolência além do normal, é necessário encaminhá-la um hospital”, diz a professora.

Aspiração
Os pequenos costumam levar todos os objetos que pegam à boca, como forma de explorar o ambiente ao seu redor. Porém, sem a devida supervisão dos pais ou responsáveis, esses objetos podem ser aspirados.

Se isso acontecer, o importante é não se desesperar. Segundo Églea Maria, enquanto a criança estiver tossindo ou ainda emitir qualquer tipo de som, não se deve interferir, pois é um processo normal de defesa do organismo.

A aspiração também pode provocar vômitos. Caso isso ocorra, a cabeça deve ser mantida virada para os lados, a fim de evitar que a criança engula o líquido novamente.

Queimaduras
Estudo divulgado pelo Ministério da Saúde revelou que 91% das queimaduras em crianças ocorrem dentro de casa. A maioria dos acidentes acontece quando a criança derruba sobre ela panela com fritura ou água fervendo ou quando a água do banho está muito quente.

Para aliviar a dor da queimadura, a professora explica que os pais devem umedecer a região atingida com compressas ou toalhas mergulhadas em água fria. “No primeiro momento, a pele não deve ser retirada, pois é uma proteção”, enfatiza a professora. Ela acrescenta que o gelo não deve ser usado nessas situações, pois pode grudar na pele e agravar o estado.

As queimaduras químicas na pele e olhos devem ser lavadas com água corrente, sem esfregar, até que todos os resíduos sejam retirados. “Se algum produto cair nos olhos, tente manter a pálpebra da criança aberta e jogue a água corrente sobre o globo ocular. Essa lavagem deve ser feita por 20 minutos, pois algumas substâncias demoram a ser removidas”, esclarece a professora, que completa ser necessário cuidado para que a lavagem não atinja o olho não acometido.

Envenenamento
A exposição a substâncias nocivas, como medicamentos ou produtos de limpeza, é um dos principais motivos de internação das crianças. Dados nacionais do Datasus mostraram que as crianças de 1 a 4 anos corresponderam a 56% (40 casos) das mortes decorrentes por intoxicação ou envenenamento de 2011.

A orientação da especialista para esses casos é não fazer a criança vomitar, principalmente se não souber do que se trata. “É preciso levar a criança imediatamente ao serviço de emergência, com a embalagem do produto químico, remédio ou planta. Além de mantê-la deitada, limitando seus movimentos”, diz.

Para essas emergências, Églea recomenda manter perto do telefone de casa ou na agenda do celular os números de emergência do Samu (192)  e Corpo de Bombeiros (193). Também é possível contatar o Centro de Toxicologia de Minas Gerais, localizado no Hospital João XXIII, pelo número (31) 3239-9308.

Cartilha
Uma cartilha que serve de guia básico para os primeiros socorros em crianças, elaborada pelo Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG junto ao projeto de extensão Creche das Rosinhas, também está disponível no site do Observatório da Criança e do Adolescente da Faculdade de Medicina da UFMG (Observaped) para auxiliar os pais nessas inúmeras situações de risco. Acesse.

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