Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Pesquisa foi feita com usuários da Atenção Primária em Saúde de Ribeirão das Neves, os quais acreditam no fortalecimento das famílias como uma forma de prevenção 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a violência é uma das principais causas de morte e incapacitação do mundo, sendo responsável por quase dois milhões de óbitos. A Atenção Primária em Saúde (APS) é a estratégia usada no atendimento de vítimas de violência, as quais costumam procurar o serviço com mais frequência que os demais usuários.

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Usuários acreditam que ter uma família que incentive a responsabilidade é uma forma de ter valores e prevenir a violência.

Para prevenir a violência é necessário conhecer a população e, então, desenvolver políticas públicas de acordo com as necessidades locais. É o que afirma Carolina Alves Reynaldo Dias, autora de um estudo defendido junto ao Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina da UFMG.  Sua pesquisa foi desenvolvida no município de Ribeirão das Neves, Região Metropolitana de Belo Horizonte, na qual foram discutidas formas de prevenção da violência sob o olhar dos cidadãos.

Prevenção

Questionados sobre medidas para prevenção das situações de violência, os entrevistados apontaram ações do governo, mudanças sociais e individuais. Nessas últimas, citaram a preservação de valores, como o amor ao próximo, e evitar atitudes que favoreçam a violência, como o uso de drogas. “Em alguns casos, porém, foi indicado que a prevenção da violência poderia acontecer se as pessoas evitassem situações cotidianas, como sair de casa a noite. Mas ter o seu direito de ir e vir violado também é uma violência”, argumenta Carolina.

Para os usuários da APS participantes da pesquisa, as políticas de segurança pública seriam a melhor forma de prevenção de violência. O combate ao tráfico de drogas e armas, além do desarmamento, policiamento eficaz e maior severidade das leis foram algumas das ações propostas.

Políticas de inclusão também foram destacadas: a educação dos jovens e a garantia de trabalho e acesso a bens de serviço. “Percebemos nas respostas uma relação direta entre a ocupação e o não ingresso em atividades como o tráfico de drogas e crimes”, explica. “Aumentar os espaços de lazer para crianças e jovens, criar grupos de prática de esporte, ações sociais e eventos culturais foram outras alternativas propostas”.

Papel da Sociedade

Vista, também, como uma responsabilidade da sociedade para a prevenção da violência, os pesquisados apontaram o fortalecimento das famílias, relacionado a valores como respeito ao próximo, afeto, exemplo e tolerância. “Fica claro que eles buscam uma situação familiar na qual não exista negligência, agressões verbais e torturas, e que seja incentivada a responsabilidade e o cuidado entre os pais e filhos”, comenta a autora. Além disso, o diálogo seria uma forma de resolver conflitos de forma pacífica.

A pesquisadora defende ser possível prevenir a violência e relata que os entrevistados fazem colocações que vão ao encontro das soluções apontadas em pesquisas científicas. “Muitas vezes você tem uma proposta para população que ela não entende como necessidade. Então é preciso entendê-la para saber em que nível trabalhar as políticas públicas: se é na conscientização, na implantação do programa ou na reestruturação dos programas que já existem, de maneira cooperativa”, conclui.

 

Título: Avaliação de vulnerabilidade e de possibilidades de superação da violência na Atenção Primária em Saúde

Nível: Mestrado

Autora: Carolina Alves Reynaldo

Orientadora: Efigênia Ferreira e Ferreira

Programa: Promoção da Saúde e Prevenção da Violência

Defesa: 25 de agosto de 2014

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