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Pessoas com fibromialgia têm maior tendência à depressão


Publicado em: ExternasRádio - 23 de dezembro de 2016

Indivíduos com a condição tendem a ser mais ansiosos e depressivos. Tratamento pode envolver psicoterapia, prática de exercícios e acupuntura. Saiba mais neste Saúde com Ciência

ImpressãoA fibromialgia é caracterizada pela dor crônica difusa nos músculos e articulações do corpo e acontece de forma espontânea, sem motivo aparente. A síndrome afeta de 2 a 3% dos brasileiros, principalmente mulheres na faixa dos 40 anos, mas também pode ocorrer em crianças e adolescentes. Repercussões psicológicas envolvem boa parte dos quadros e a relação entre fibromialgia e depressão pode se tornar um “ciclo vicioso”.

“É comum o paciente com dor crônica ter depressão. E a depressão, por sua vez, também pode promover dor no corpo. Isso porque um dos fatores que causa a dor é a baixa de serotonina no cérebro e, quando esse neurotransmissor está em baixa quantidade, ele causa a depressão”, afirma a professora do Departamento do Aparelho Locomotor da Faculdade de Medicina da UFMG, Cristina Lanna.

As causas da fibromialgia estão associadas a uma pré-disposição genética, já que é comum membros da família apresentarem histórico da doença, e um desequilíbrio na produção de substâncias cerebrais como a serotonina, neurotransmissor responsável, por exemplo, pela regulação do sono e do humor do indivíduo. Esse desequilíbrio não significa, porém, que toda pessoa com fibromialgia terá depressão, ou que pessoas deprimidas terão dores no corpo.

Alguns indivíduos com a síndrome relatam que sintomas como enxaqueca, cansaço e fadiga, pioram com o quadro depressivo. “Há pacientes que falam sobre isso. É possível aparecer uma piora de dor crônica ou enxaqueca nesses quadros, mas isso é mais de observação”, pondera Cristina. Além desses sintomas, outros sinais da fibromialgia são distúrbios do sono, dormência nos membros do corpo e constipação intestinal. O diagnóstico é clínico e é importante que pacientes e médicos estejam atentos para que não seja feito um diagnóstico equivocado, já que a síndrome pode ser confundida com outros quadros, como o hipertireoidismo.

Crédito da imagem: www.instpilates.com.br

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Prática de exercícios

Há diferentes formas de tratamento, que favorecem o controle da fibromialgia e oferecem uma vida estável ao indivíduo. Uma das recomendações de Cristina Lanna é a prática de exercícios. “Todo paciente deve fazer exercício físico regularmente, de preferência aeróbico. Caminhada, natação, bicicleta, hidroginástica, esteira são exemplos comprovados que ajudam na produção de serotonina no cérebro”, aprova.

Antidepressivos também são usados para reajustar a quantidade de serotonina no cérebro, atuando na diminuição da dor muscular e no equilíbrio do humor. Já analgésicos e relaxantes musculares são indicados para reduzirem a dor crônica. A reumatologista ainda sugere a realização de acupuntura, assim como de psicoterapia. “A psicoterapia é bem indicada, pois a pessoa com fibromialgia, às vezes, é mais perfeccionista, exigente, de temperamento mais controlador. A psicoterapia ajuda a pessoa a entender esse comportamento e fazer algumas mudanças, refletindo numa melhora da dor”, resume a reumatologista.

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 180 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

Redação: Luís Gustavo Fonseca | Edição: Lucas Rodrigues

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