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Pesquisadora elabora manual para prevenção de depressão em idosos – Faculdade de Medicina da UFMG

Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Projeto pioneiro no Brasil busca evitar o desenvolvimento de depressão maior em idosos com o uso de terapia de grupo

Carol Prado*

A psicóloga Júlia Dias desenvolveu um manual voltado para profissionais da área da saúde para sistematizar a criação de uma intervenção comportamental para idosos com sintomas depressivos. O trabalho foi defendido como dissertação no Programa de Pós-Graduação em Ciência Aplicada à Saúde do Adulto da Faculdade de Medicina da UFMG.

Dificuldade de adaptação a mudanças favorece o aparecimento da depressão. Foto: Reprodução – Pixabay

A intenção é evitar que o idoso desenvolva episódio depressivo maior, caracterizado pela manifestação de sintomas como falta de ânimo para realizar atividades cotidianas, sensação de tristeza ou vazio, alterações significativas no sono, peso e uma visão negativa de si mesmo e de seu futuro que trazem prejuízos para a vida diária.

“Esta é a primeira intervenção terapêutica em grupo, voltada para a prevenção do transtorno depressivo maior nos idosos do Sistema Único de Saúde (SUS), que se baseia na combinação de técnicas psicoterapêuticas que já demonstraram evidências científicas de eficácia”, ressalta Júlia. “O estudo é baseado na aprendizagem de práticas adaptadas para a realidade da população idosa brasileira”, continua.

O professor do Departamento de Saúde Mental, Breno de Oliveira Diniz, orientador do trabalho, considera o trabalho de extrema relevância social. “A técnica desenvolvida por Júlia tem o potencial de ajudar uma enorme quantidade de idosos vivendo em comunidades e que não tem acesso à psicoterapia ou a medicação”, afirma.

Depressão em idosos
A autora esclarece que, do ponto de vista da saúde mental, a capacidade de adaptação é um elemento importante para recuperação do público estudado. “O idoso sofre diversas mudanças e perdas nessa fase da vida, como falecimento de pessoas próximas, limitações físicas, mudança na rotina diária e alterações psicológicas. A dificuldade em adaptar-se a essas mudanças favorece o aparecimento da depressão”, discorre Júlia.

Para Júlia, é preciso enfrentar a ideia que a depressão é normal para o idoso. Foto: Carol Morena

Segundo a psicóloga, há uma série de construções sociais e culturais que dificultam a busca pelo tratamento. “Precisamos enfrentar noções culturais errôneas de que a presença dos sintomas depressivos é normal nessa fase da vida, que buscar ajuda para saúde mental é sinal de fraqueza ou que as pessoas não podem mudar por estarem mais velhas”, enfatiza Júlia.

Os resultados do estudo apontam que trabalhar as questões relacionadas ao processo de envelhecimento e a aceitação da necessidade de um tratamento psicoterápico são fatores relevantes no tratamento dos idosos. Porém, a população idosa é composta por pessoas com características, vivências e capacidades muito variadas. Por isso é importante conversar e ter a delicadeza para perceber quais são os fatores específicos do envelhecimento que impactam a vida de cada idoso”, explica Júlia.

 

Identificação de estratégias para criação do manual
Segundo a autora, o mais impactante do trabalho foi a identificação dos fatores relevantes para aplicar a intervenção com idosos com sintomas depressivos considerando a realidade brasileira. Para isso, ela conta que foram feitas entrevistas com psicólogos e psicogeriatras atuantes no serviço de atendimento de idosos nos setores público e privado. “Ambos os grupos são conhecedores tanto do atendimento clínico e pesquisa com idosos, quanto experientes na condução de grupos terapêuticos com população idosa em instituições privadas e no SUS”, afirma Júlia.

Em seguida, foi feito um grupo focal com outros profissionais da saúde de diversas áreas do conhecimento para refinar o conteúdo do manual terapêutico, a fim de compreender o que consideram importante no atendimentos com idosos de diferentes regiões de Belo Horizonte.

Além dos já mencionados, a motivação do idoso foi outra questão muito citada nas entrevistas. “São necessárias estratégias pragmáticas, breves, que levem em consideração a questão do envelhecimento e que possam ser facilmente aplicadas no dia a dia”, aponta Júlia. Ela lembra a necessidade da prática de atividades simples e objetivas que possam manter a motivação dos pacientes.

“O que estamos propondo são procedimentos que levam a uma melhora dos sintomas a partir de técnicas terapêuticas que possam ser aprendidas e implementadas pelos próprios idosos em seu contexto diário” explica Júlia. “A partir do uso dessas técnicas, os membros dos grupos apresentariam maior compreensão dos fatores relacionados ao desenvolvimento da depressão, prevenindo ativamente um episódio do transtorno depressivo maior”, completa.

Continuidade da proposta
Júlia acrescenta que paralelamente ao manual está em desenvolvimento uma cartilha para os pacientes e familiares e um material de áudio com estratégias de relaxamento a serem entregues durante as sessões de terapia em grupo para os participantes. A ideia é criar um manual impresso, mas também disponibilizar os materiais de treinamento para terapeutas, o próprio manual e as cartilhas em um repositório online para favorecer a implementação das intervenções em diferentes locais.

Júlia frisa que é necessário um processo contínuo de refinamento do material, a partir da opinião dos especialistas, dos profissionais de saúde e dos idosos e dos resultados da testagem do manual.

Como o trabalho foi baseado apenas no olhar profissional, o próximo passo é investigar a percepção e a eficácia do instrumento em grupos de terapia com os pacientes. “Serão feitos grupos experimentais na área hospitalar e em diversas regiões de Belo Horizonte, visando facilitar o acesso e participação dos idosos”, comenta Júlia. “Precisamos saber qual a opinião dos pacientes sobre a intervenção e se utilizariam dela, para, então, avaliarmos sua eficácia” pontua.

Após o processo de testagem, com início previsto para esse ano, o manual será disponibilizado para a comunidade acadêmica.

O início das inscrições para participar dos grupos focais de idosos está previsto para o segundo semestre de 2018. Serão aceitos idosos com sintomas depressivos, sem transtornos psiquiátricos e problemas neurodegenerativos diagnosticados, como quadros de demência. Idosos e familiares interessados em participar da pesquisa podem entrar em contato pelo e-mail terapiadoidoso@gmail.com.

Título: Desenvolvimento de um manual de terapia em grupo para prevenção da depressão maior em idosos com sintomas depressivos clinicamente significativos.

Nível: Mestrado

Autora: Júlia Costa Dias

Orientador: Breno Satler de Oliveira Diniz

Coorientador: Bernardo de Mattos Viana

Programa: Ciências aplicadas à saúde do adulto

Defesa: 28 de setembro de 2017

 

 *Redação: Carol Prado – estagiária de jornalismo
Edição: Mariana Pires

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