A mineira Maria Gomes Valentim, habitante da cidade de Carangola, na Zona da Mata, Minas Gerais, foi reconhecida pelo Guiness, o livro dos recordes, como a mulher mais velha do mundo, superando em 48 dias a norte-americana Besse Cooper, antiga detentora do título. Maria Gomes tem 114 anos.

A descoberta foi feita pelos professores Cássio Turra e Simone Wajnman, do Departamento de Demografia do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG.

Cássio Turra, que também é correspondente internacional do Gereontology Research Group (GRG), explica que esta é uma oportunidade única para o Brasil participar das melhores pesquisas de longevidade extrema em desenvolvimento na Europa e nos EUA.

O GRG é um grupo formado por pesquisadores de diversas áreas preocupados em entender o processo de envelhecimento e, em particular, como revertê-lo. O grupo se dedica também a formar um banco de dados sobre supercentenários – pessoas com pelo menos 110 anos de vida – em todo o mundo.

De acordo com Turra, para validar um caso de longevidade extrema no banco de dados é necessário seguir rigoroso processo de registro que tem como base protocolos desenvolvidos por demógrafos da Europa e EUA. O principal requisito é que o suposto supercentenário tenha prova da época de seu nascimento, como o próprio registro de nascimento ou de batismo.

“No caso do Brasil, os registros antigos são muito precários, o que dificulta esse tipo de pesquisa”, explica Cássio. “Não é a toa que nunca havíamos conseguido provar um único caso de supercentenário”. A comprovação da idade de Maria Gomes foi feita com base em seus registros de nascimento, de casamento, de nascimento do filho, além da construção e da verificação de sua árvore genealógica, em documentos recentes (carteira de identidade e de trabalho) e certificação de que está viva. O trabalho de pesquisa do Cedeplar contou com a ajuda da família e de um tabelião do Cartório de Carangola.

Cássio Turra explica que casos de supercentenários são raros em todo o mundo. A estimativa nos países desenvolvidos é de cerca de um supercentenário vivo para cada cinco milhões de pessoas. Segundo o pesquisador, não se sabe o peso dos componentes ambiental, comportamental e genético na determinação de vidas tão longas. “O estudo destes casos visa alcançar resultados referentes à maior longevidade das pessoas, associando saúde e qualidade de vida”.

A expectativa de Cássio Turra é de que com a visibilidade do caso de Maria Gomes outros supercentenários apareçam. “Seria ótimo para contribuirmos com as pesquisas mundiais nesta área e estendermos os benefícios de uma vida mais longa e saudável para a toda a população”.

(Com Centro de Comunicação da UFMG)

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