*Matéria publicada na edição 41 do Saúde Informa 

 Ao relacionar as três doenças, a pesquisa abre possibilidade de outros estudos que visam melhorar a vida dos idosos com prevenção e o tratamento adequado

Professor Breno Satler, do Departamento de Saúde Ment

Professor Breno Satler, do
Departamento de Saúde Mental

O professor Breno Satler Diniz, do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, publicou, em parceria com profissionais da Universidade de Pittsburgh, Estados Unidos, artigo na revista Molecular Psychiatry. A publicação foi fruto da pesquisa desenvolvida em seu pós-doutorado nessa universidade.

O artigo buscou avaliar os mecanismos envolvidos com as dificuldades cognitivas apresentadas por idosos com depressão. O estudo foi feito com 80 pacientes acompanhados pelo Centro Avançado para Tratamento e Prevenção da Depressão no Idoso da Universidade de Pittsburgh. Foram considerados os marcadores estruturais do sistema nervoso central, o volume cerebral e alterações cerebrovasculares. Estes foram associados a um conjunto de marcadores estritamente relacionado à doença de Alzheimer. Além disso, avaliou, no plasma dos mesmos pacientes, um painel de aproximadamente 240 proteínas correspondentes as mais variadas funções biológicas.

“Essa pesquisa ampliou de uma maneira significativa nosso conhecimento para saber por que os idosos depressivos têm déficits cognitivos”, afirma Diniz. Ainda, segundo ele, isso é importante porque já se sabe que idosos com depressão e déficits cognitivos apresentam risco muito grande de evoluírem com o tempo para quadro de doença de Alzheimer ou outros como a demência vascular. “Será que esses idosos com depressão e déficit cognitivo apresentam alguma alteração que indicam que possam estar em maior risco ou não? Essa pesquisa buscou isso”, completou.

Respostas
A primeira descoberta indicou que idosos com depressão e déficit cognitivo apresentam muitos problemas biológicos com alterações em cascatas. Estas correspondem às alterações inflamatórias, alterações neurotróficas, regeneração celular, respiração celular, entre outras. A segunda descoberta foi que estas cascatas são muito semelhantes as que se observa nos idosos com doença de Alzheimer.

Segundo o professor Breno, as alterações mais importantes estão relacionadas a uma proteína inflamatória e uma que é o fator de crescimento de células tronco. “Outra coisa que discutimos muito nesse trabalho é que depressão reduz a saúde do cérebro, principalmente, se também tiver déficit cognitivo. Ou seja, é um cérebro que envelhece mais rápido”, explica Diniz.

Os achados parecem ser uma realidade mundial. “Uma série de trabalhos que fizemos, primeiro, em São Paulo e depois aqui em Belo Horizonte, mostrou que independente da situação em que você esta avaliando os idosos deprimidos, o padrão de alterações é muito semelhante. Ou seja, possivelmente isso se repete em diferentes populações”, explica Breno Satler. “Agora, pretendemos aplicar este estudo aqui, mas com um painel ampliado e olhando outras assinaturas biológicas, com a participação do pessoal de Pittsburgh”, continuou.

Possibilidades para o futuro
O professor esclarece que a pesquisa amplia o que se conhece sobre a depressão no idoso, possibilita novos tratamentos e prevenção do declínio cognitivo na depressão nesses pacientes e, ainda, mostra o quanto a depressão no idoso é prejudicial, tanto para o sistema nervoso como para o organismo de uma maneira geral.

Assim, de acordo com Diniz, o próprio tratamento da depressão pode ajudar a diminuir o risco de ter a doença de Alzheimer. “Os resultados apontaram, por exemplo, que precisamos testar novamente o medicamento carbonato de lítio que vai influir em uma série destas cascatas alteradas que encontramos”, declarou. Esse medicamento é usado há mais de 60 anos na psiquiatria para tratar o transtorno bipolar de humor. Estimular hábitos de vida saudável, fazer atividades físicas e controlar os fatores de risco cardiovascular também auxiliam nessa prevenção.

Acesse
O artigo “Assinatura Plasmática e de patologia cerebral relacionadas ao déficit cognitivo em idosos com depressão” (tradução do autor) foi publicado em 5 de agosto de 2014. A Molecular Psychiatry é a revista de maior impacto da área de psiquiatria, também ranqueada entre as cinco melhores de neurociências. O artigo está disponível aqui.

    Contador de visitas: 759 visualizações

    Veja também: