Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Em seminário ocorrido esta semana, a professora Eli Iola Andrade, professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG (MPS) e integrante do Grupo de Pesquisa em Economia da Saúde (Nescon), apresentou resultados de pesquisa realizada pelo GPES, no Estado de Minas Gerais, sobre a demanda judicial de medicamentos no SUS.

Foram coletados dados de mais de 6 mil processos dos arquivos da Secretaria Estadual de Saúde de MG, de fevereiro a novembro de 2009. “Com base nessa coleta, foi revelado que diabetes, artrite, câncer, hipertensão e doença pulmonar restritiva estão entre os diagnósticos mais comuns na demanda judicial de medicamentos do Sistema”, revelou a pesquisadora.

Ela apontou ainda a ausência de recursos econômicos como um dos principais fatores para a ida à justiça. Na pesquisa realizada em Minas Gerais, Eli Iola afirmou que os itens demandados por número de solicitações judiciais no seu estado foram de medicamentos (5.156), materiais hospitalares (482), procedimentos cirúrgicos (489) e outros procedimentos, como ressarcimentos e danos materiais, por exemplo, com 786 casos.

Ainda de acordo com ela, o diagnóstico mais frequente é de diabetes, seguido do câncer e artrite. “Esses números podem nos ajudar a associar o perfil epidemiológico das demandas judiciais ao perfil epidemiológico da população. Eles demonstram importantes vazios assistenciais nos quais o governo deve agir”.

Judicialização da Saúde
O tema ganha cada vez mais relevância na sociedade e sua discussão causa impactos tanto no sistema de saúde quanto no sistema de justiça. O Seminário Nacional Saúde e Justiça: a efetividade do direito à saúde e a demanda judicial de medicamentos, do qual participou a professora, teve o objetivo de refletir sobre a demanda judicial de medicamentos. O evento, ocorrido no Rio de Janeiro, entre 7 e 10 de maio, foi dividido em quatro mesas de debate com temáticas que versaram sobre a relação entre os sistemas de saúde e de justiça.

Fizeram parte da primeira mesa do evento os palestrantes, Lore Lamb, assessora técnica do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass); Maria Célia Delduque, pesquisadora da Diretoria Regional de Brasília da Fundação Oswaldo Cruz (Direb/Fiocruz); e Vera Pepe, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP). A atividade foi coordenada pelo diretor adjunto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Neilton Araújo de Oliveira.

Além de seminário, o encontro também integrou o curso de aperfeiçoamento para magistrados, organizado pela Emerj e pelo Cecovisa/ENSP/Fiocruz, com apoio da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ e do Núcleo da Assistência Farmacêutica (NAF/ENSP/Fiocruz).

Ouça as palestras.

Redação: Com Comunicação Nescon e Comunicação Fiocruz
Foto: Rosane Naylor

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