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Parto normal ou cesariana: qual a melhor alternativa?


Publicado em: ExternasSaúde - 5 de julho de 2016

Ministério da Saúde orienta sobre os procedimentos para a escolha saudável de mães e médicos

Os benefícios do parto normal são inequívocos. Ele é fisiológico, e para o qual o corpo da mãe e do bebê estão preparados. Ainda assim, 55,6% dos procedimentos no Brasil são cesáreas, enquanto o índice recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 15%. Para mudar esse quadro, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabeleceram regras para o estímulo ao parto normal. Cerca de um ano após a determinação dessas regras, o Conselho Federal de Medicina divulgou, em junho, uma resolução que determina que, para segurança do feto, gestantes que optarem pela cesariana só poderão realizar o procedimento após a 39ª semana de gravidez.

Dentre as determinações do Ministério da Saúde e da ANS estão a implementação de documentos como o Cartão da Gestante e a Carta de Informação à Gestante, para que as mães tenham mais conhecimento para a escolha de seu procedimento. A representação gráfica da evolução do trabalho de parto, o chamado Partograma, e estatísticas sobre as cesáreas realizadas também devem ser apresentadas sempre que solicitadas, para o conhecimento real dos dados no país.

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Imagem: reprodução/internet

Segundo a professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG, Alamanda Kfoury, todas essas medidas são importantes para a redução dos procedimentos cesarianos. “A existência de uma lei apenas reforça uma atitude que já deveria fazer parte da prática clínica do profissional da saúde. Uma vez cientes, profissionais e usuários podem compartilhar as escolhas e decisões para o bem estar da mãe e filho”, diz a professora.

Hábitos culturais interferem na escolha do parto

Alamanda explica que o parto normal é um processo complicado, modulado por mecanismos hormonais que determinam um padrão de contrações progressivo, a dilatação do colo e o nascimento do feto. “Infelizmente estamos vivendo em um mundo em que tudo é muito rápido e aceitar culturalmente um processo como o parto normal, que dura de oito a 12 horas, é difícil”, comenta. “Os obstetras têm dificuldade em fazer o acompanhamento desse longo trabalho e muitos não se sentem preparados para intervir, se houver alguma complicação”, completa.

Outro fator que favorece a escolha do parto cesariano, para a professora, é a cultura do medo em relação às dores do parto, ainda que haja inúmeras vantagens do procedimento normal. “O primeiro ponto favorável é o fato do parto normal não ser cirúrgico, possibilitando uma recuperação mais rápida”, comenta.

Ela ainda informa que os eventos pós-parto também são desencadeados com maior facilidade. “Quando a mulher passa pelas horas do processo, dispara uma mensagem para o cérebro para se preparar para o depois. Funções como o aleitamento, por exemplo, são mais ágeis quando o parto é normal”, explica.

O bebê também tem um desenvolvimento mais rápido com as alterações hormonais do corpo da mãe durante o parto normal, uma melhor sucção, e é mais ativo. A passagem pelo canal vaginal ainda propicia a compressão do tórax, que leva a criança a eliminar todo o líquido amniótico do aparelho respiratório.

Cirurgia cesariana envolve diversas complexidades

Mesmo sendo considerada uma cirurgia de baixo risco, a cesariana tem de sete a dez vezes mais chances de complicações que o parto normal. Porém, em situações de saúde da mãe, como um problema cardíaco, ou como quando o bebê está em apresentação pélvica (sentado no útero), a cesariana passa a ser protetora.

Mas, de acordo com Alamanda, é preciso pesar os riscos. “Esse tipo de parto pode expor a mulher a uma série deles, com consequências imediatas como cicatrizes, hemorragias, infecções e maior tempo de permanência no hospital”, destaca. “Ou em longo prazo, como dificuldade numa futura gravidez e aderências, que causarão dor pélvica crônica para o resto da vida da mulher”, continua.

Segundo a professora, um grande problema são as cesarianas eletivas, com data previamente marcada. Ela conta que o ideal é que o nascimento do bebê aconteça mais próximo da data final da gestação, que vai de 37 a 42 semanas. Quando o obstetra agenda uma cesariana eletiva, o bebê pode ter dificuldades de adaptação e até de sucção do leite materno. “Pode acontecer, também, um erro de cálculo da idade gestacional e o bebê nascer numa cesariana com 36 semanas, por exemplo. Por que expor a criança se ele pode nascer na hora certa e saudável?”, questiona a especialista.

Porém, mesmo que os benefícios do parto normal sejam inúmeros, Alamanda Kfoury defende que ele não pode virar uma questão ideológica de “parto normal a qualquer preço”. “A obstetrícia hoje é uma ciência multidisciplinar e isso é uma coisa muito boa. O obstetra trata do assunto, mas, também, as enfermeiras e as parteiras. É possível e necessária uma reunião de saberes em prol do bem-estar de um paciente”, conclui.

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