Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Pesquisa mostra que portadores têm maior sensibilidade à insulina, e amplia campo de estudos sobre a doença.

Ives Teixeira Souza*

 

Atingindo uma em cada três mil pessoas (cerca de 80 mil brasileiros), de acordo com a Associação Mineira de Apoio às Pessoas com Neurofibromatoses, a neurofibromatose tipo 1 (NF1) pode causar dificuldade de aprendizado, distúrbios da fala, timidez acentuada, baixa estatura e tumores.

Em estudo inédito, por pesquisar aspectos nutricionais de pacientes com NF1, realizado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto da Faculdade de Medicina da UFMG, a nutricionista Aline Stangherlin Martins desenvolveu tese sobre a doença e a resistência à insulina.

Segundo a pesquisadora, a partir da experiência dos profissionais envolvidos no Centro de Referência em Neurofibromatoses (CRNF) do Hospital das Clínicas da UFMG, como os médicos Nilton Rezende e Luiz Rodrigues, foi percebida a pouca incidência de pacientes com diabetes tipo 2 nas pessoas com NF1. “No diabetes tipo 2 a pessoa produz a insulina, mas as células do organismo têm dificuldade em transportar a glicose do sangue para a célula. O ineditismo da pesquisa está nessa relação entre essas duas doenças”, realça Aline.

Os testes foram realizados com os pacientes do CRNF e voluntários da comunidade. Eles se submeteram a exames laboratoriais (glicemia, insulina, hemoglobina glicada, perfil lipídico e adipocitocinas), além de avaliações nutricionais e dietéticas.

Os resultados indicaram que os pacientes com neurofibromatose tipo 1 têm glicemia menor e maior sensibilidade à insulina se comparados às pessoas sem a doença, além de menor peso, estatura, percentual de gordura e água corporal. De acordo com a nutricionista, isso demonstra que essas pessoas têm menos chance de se tornarem diabéticas do que aquelas sem neurofibromatose.

“Na amostra, percebemos que esses pacientes têm glicemia de jejum menor, e maior sensibilidade à insulina, do que a população em geral. Isso indica que há nelas algum fator protetor contra a resistência à insulina”, prossegue a nutricionista.

Aline ainda argumenta sobre a necessidade de se pesquisar mais sobre a neurofibromatose. “O estudo sobre a relação da NF1 com a nutrição, por exemplo, é bem recente. Então, o grande benefício da pesquisa é contribuir para o entendimento sobre o metabolismo da doença”, conclui.

Neurofibromatoses

Ilustração: Lor – Reprodução: lormedico.blogspot.com.br

As neurofibromatoses constituem um grupo de doenças genéticas com predisposição ao crescimento de múltiplos tumores: tipo 1, tipo 2 e schwannomatose.

“A neurofibromatose tipo 1 é uma doença genética, rara, que corresponde a uma alteração do cromossomo 17, e essa alteração leva a deficiência de uma proteína, a neurofibromina, que é responsável pelo controle do crescimento celular.”, explica Aline. “O diagnóstico é clínico e se baseia nas manifestações da doença, sendo as principais as manchas cor de café com leite, neurofibromas cutâneos, nódulos de Lisch, efélides axilares e inguinais.

Para entender mais sobre a doença, acesse o blog do médico e professor da UFMG, Luiz Oswaldo Rodrigues, o Lor.

Título: Resistência à insulina na Neurofibromatose tipo 1
Nível: Doutorado
Autora: Aline Stangherlin Martins
Orientador: Nilton Alves de Rezende (UFMG)
Coorientadora:  Ann Kristine Jansen (UFMG)
Programa: Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto (PrPGCASA)
Defesa: 20 de fevereiro de 2017

 

 

*Redação: Ives Teixeira Souza – estagiário de jornalismo
Edição: Mariana Pires

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