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Organização e cuidado na triagem neonatal


Publicado em: ExternasNotícias - 11 de agosto de 2016

Conheça o trabalho da UBS Vila Militar, em Ipatinga

Parte da equipe de profissionais da UBS Vila Militar. Foto: Rafaella Arruda.

Parte da equipe de profissionais da UBS Vila Militar. Foto: Rafaella Arruda.

Considerada a porta de entrada do usuário ao Sistema Único de Saúde (SUS), as UBS, como são conhecidas as Unidades Básicas de Saúde, têm papel fundamental para garantir à população o acesso a um serviço de qualidade. Com um público médio de 17 mil usuários, a UBS Vila Militarlocalizada no bairro Bethânia, em Ipatinga (MG), desempenha essa função desde 2005. E os bons números para as ações de triagem neonatal revelam muito desse trabalho.

A Unidade estrutura-se a partir de quatro equipes PSF (Programa Saúde da Família), cada uma responsável por atender seis microáreas e cerca de 4 mil usuários. Entre os 60 profissionais estão médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, auxiliares, psicólogos, assistentes sociais e odontólogos, além de uma equipe do NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) composta por nutricionista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, educador físico e psicólogo, que atua de forma integrada aos demais.

Triagem Neonatal

A UBS Vila Militar realiza, em média, 19 coletas para triagem neonatal (teste do pezinho) por mês. Segundo o Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da Faculdade de Medicina da UFMG (Nupad), executor do Programa de Triagem Neonatal de Minas Gerais (PTN-MG) sob a gestão da Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG), a UBS mantém a qualidade das amostras enviadas para análise laboratorial: nos últimos 12 meses, nenhuma delas foi considerada inadequada. Além disso, na média dos últimos seis meses, as coletas foram feitas no prazo recomendado, entre o 3º e 5º dia de vida, e encaminhadas ao Núcleo cerca de um dia após a realização, o que tende a agilizar o processo de triagem das amostras, a liberação do resultado e o início do tratamento do recém-nascido, caso alguma doença seja diagnosticada.

“É um trabalho conjunto mesmo”, diz a enfermeira responsável pela Unidade, Rosane Campos, ao se referir aos indicadores. Segundo ela, o pré-natal na rede do município é muito bom, com o acompanhamento das gestantes pela equipe na UBS e a participação em grupos educativos: “Temos a participação da pediatra nestes grupos, então ela fala dos cuidados com os recém-nascidos e da importância de fazer o teste o mais precoce possível, do 3º ao 5º dia, e vir à Unidade. Na maternidade também tem essa orientação”.

Graça realiza, na sala de vacina, a coleta na pequena Ana Júlia, no 4º dia de vida. Foto: Rafaella Arruda.

Graça realiza, na sala de vacina, a coleta na pequena Ana Júlia, no 4º dia de vida. Foto: Rafaella Arruda.

Quanto à qualidade das amostras, Rosane destaca o mérito da profissional responsável pela coleta, Maria das Graças Gomes, além da organização do serviço. “Como ela é muito boa e está aqui há muito tempo, desde 2005, a gente tenta que todos os técnicos passem por ela, para aprender e manter. Aí flui melhor”, afirma. “Não tem segredo”, garante Graça, como é conhecida a técnica de enfermagem. “É explicar porque vai fazer o teste do pezinho, quais as doenças diagnosticadas. Os pais ficam atentos e fazem até perguntas, aí já falo que é tranquilo, que o tratamento é muito importante. Às vezes, os meninos nem choram. Eu amo o que faço e sei que é importante para a criança”, conta. “Ela faz o que gosta, as famílias procuram por ela”, diz Ivani Santos, atendida na Unidade.

Coleta de sangue em gestante para controle da toxoplasmose congênita (triagem pré-natal). Foto: Rafaella Arruda.

Coleta de sangue em gestante para controle da toxoplasmose congênita (triagem pré-natal). Foto: Rafaella Arruda.

A enfermeira responsável explica ainda que cabe aos profissionais da sala de vacina, além da imunização e coleta periódica de sangue das gestantes para controle da toxoplasmose congênita, todos os demais procedimentos da triagem neonatal, como registro das coletas, secagem e envio das amostras, impressão dos resultados e entrega às famílias. Nos casos em que há suspeita ou alteração do resultado, após aviso do Nupad à Unidade, a própria equipe entra em contato telefônico com a família. “Se for diagnóstico fechado, o enfermeiro faz a visita para dar a informação”, acrescenta Rosane.

Acompanhamento das famílias

A pequena Maria Clara, de 4 anos, atendida pela UBS Vila Militar, é uma das crianças acompanhadas pelo PTN-MG. Ela foi diagnosticada com doença falciforme a partir da triagem neonatal e hoje, além das consultas periódicas à Unidade, comparece à Fundação Hemominas, em Belo Horizonte, a cada seis meses para tratamento da doença.

A enfermeira Rosane com Claudinéia e a filha Maria Clara. Foto: Rafaella Arruda.

A enfermeira Rosane com Claudinéia e a filha Maria Clara. Foto: Rafaella Arruda.

Claudinéia Souza, mãe de Maria Clara, conta que quando soube do resultado chorou muito, pois não conhecia a doença e o que poderia acontecer com a filha: “Nunca tinha ouvido falar. Logo no primeiro mês de vida dela fui ao Hemominas, e foi lá que eu me acalmei”. Sem histórico de muitas internações, Maria Clara leva uma vida normal ao lado dos pais e desde os três anos frequenta a escola. “Estamos nos surpreendendo com a escola. Ela está muito bem, já sabe fazer o nome sem olhar. Antes ela não gostava de falar, escondia. Foi a melhor coisa”, ressalta Claudinéia.

Além de Maria Clara, outras duas crianças diagnosticadas pelo Programa de Triagem Neonatal de MG são usuárias da UBS Vila Militar: uma também com doença falciforme e outra com hiperplasia adrenal congênita. “Não temos dificuldade alguma de contato com essas famílias, os acompanhamentos têm sido muito tranquilos”, diz Rosane.

A enfermeira conta que o Nupad controla a marcação e frequência às consultas nos ambulatórios de Belo Horizonte e que os demais acompanhamentos, com enfermeiro, médico ou grupos educativos, continuam sendo feitos na Unidade. “No primeiro ano de vida a gente faz as consultas de puericultura, que são praticamente todos os meses, então o contato é maior, isso para todas as crianças. Quando tem alguma doença já definida, então temos o apoio do pediatra na rede e também o que é referência na unidade”, explica.

Capacitação da equipe

Com grande parte da equipe composta por funcionários concursados, Rosane cita que a maior rotatividade é de médicos e alguns profissionais da área técnica. “Mas atualmente estamos com um dos médicos há quatro anos e os enfermeiros, todos concursados, estão aqui há uns oito a dez anos também”, exemplifica.

Segundo Rosane, todos os enfermeiros já fizeram a capacitação para triagem neonatal e pré-natal pelo Nupad. Ela em 2012, em Belo Horizonte, os demais em 2015, na capacitação realizada pelo Núcleo em Coronel Fabriciano, na Gerência Regional de Saúde. Para o enfermeiro Leonardo Campos, na Unidade desde 2007, o melhor conhecimento das doenças identificadas pela triagem neonatal foi o principal atrativo. “Depois multiplicamos para a equipe, técnicos e enfermeiros. Todos deveriam participar”, conta.

InfoIpatingaIpatinga

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde de Ipatinga – Referência Técnica de Saúde da Criança e Adolescente, o município conta hoje com 21 UBS, sendo 17 cadastradas no PTN-MG. Além disso, a maternidade de referência, localizada no Hospital Márcio Cunha, realiza coleta para triagem neonatal em recém-nascidos retidos, tanto de Ipatinga quanto de outras regiões.

Ipatinga possui 241.720 mil habitantes e faz parte da Superintendência Regional de Saúde de Coronel Fabriciano (dados SES-MG).

 

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