Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Oficina e pesquisa relacionam saúde e trabalho


Publicado em: Notícias - 1 de julho de 2011

Dores decorrentes de posturas inadequadas, fadiga física e mental, estresse e enxaqueca são apenas algumas consequências possíveis dos maus hábitos adotados no ambiente de trabalho. A relação entre saúde e trabalho rende intensas preocupações e é um assunto que mobiliza pesquisadores, médicos, políticos e gestores do SUS. Ontem e hoje, a Faculdade de Medicina da UFMG sediou a oficina de trabalho “Contribuição ao processo de facilitação do desenvolvimento de ações de Saúde do Trabalhador na Atenção Básica”.

A oficina, coordenada pela professora Elizabeth Costa Dias, é parte das atividades inseridas no contexto do projeto de pesquisa “Desenvolvimento de conceitos e instrumentos facilitadores da inserção de ações de Saúde do Trabalhador na Atenção Primária”, desenvolvida pelo Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina, em colaboração com o Ministério da Saúde. Além de levantar o debate, a oficina serviu para apresentar a pesquisadores e gestores alguns resultados preliminares do estudo.

Projeto de pesquisa
A pesquisa propõe identificar, através de estudos de caso, questões comuns relacionadas à saúde do trabalhador e, em seguida, apontar sugestões na gestão e no marco regulatório e apresentar uma estratégia pedagógica para capacitação de equipes. “O trabalho está diretamente ligado à promoção, prevenção e assistência à saúde. Quando uma pessoa está satisfeita e feliz com sua ocupação, certamente sua qualidade de vida está sendo promovida. A prevenção consiste em conhecer os riscos e mudar os processos de trabalho geradores de doenças. Na assistência, identificar quando um adoecimento é consequência de ocorrências no trabalho é um primeiro passo para direcionar o tratamento”, esclarece Elizabeth Dias.

A pesquisadora alerta para a necessidade de traçar um perfil ocupacional de cada região através dos questionários realizados pelos agentes comunitários de saúde. “Se descobrimos, por exemplo, que 70% da população de uma cidade têm sua atividade ligada à extração de minério ou à lapidação de pedras, podemos planejar ações educativas de saúde específicas para este município”, explica Elizabeth Dias.

Ela defende também que as Unidades de Saúde colham um histórico ocupacional detalhado de todo paciente, uma informação importante para o médico realizar o diagnóstico. “É preciso saber tanto a profissão, como o local de trabalho. Há profissionais que atuam fora da área e muitas vezes os questionários não esclarecem essa questão. Além disso, um porteiro de edifício é diferente de um porteiro de cemitério”, distingue.

Outro ponto levantado pela pesquisadora diz respeito à necessidade de levantar dados concretos. “Há uma confusão numérica sobre o índice de acidentes fatais de trabalho. Às vezes essa quantificação é problemática e pouco esclarecedora. Mas é preciso fazer esse esforço de levantar os números, pois só assim conseguimos chamar atenção para os problemas e entramos na agenda dos gestores”, diz a professora. O projeto segue em desenvolvimento e está prevista, para dezembro, a realização de um seminário ampliado e aberto aos interessados na discussão do tema.

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