Problema de saúde pública, obesidade infantil é destaque da nova série do Saúde com Ciência, que faz um “raio-x” da alimentação brasileira

ImpressãoUm terço das crianças entre cinco e nove anos estão acima do peso. Foi o que revelou pesquisa divulgada no ano passado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Tal situação reflete os hábitos atuais da população brasileira referentes, por exemplo, à alimentação, já que mais de 50% dos brasileiros estão com excesso de peso e quase 18% são obesos, condição esta que se mantém estável. O que está por trás desse preocupante cenário logo na infância?

De acordo com o professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Benedito Scaranci, um dos principais fatores relacionados é o sedentarismo. “Parece até absurdo, porque a criança é movimento, atividade, mas hoje ela foi induzida a um padrão de comportamento inativo, com muita televisão e videogame, que contribui para um baixo metabolismo do corpo”, analisa. Além disso, Scaranci aponta que houve uma mudança recente no padrão alimentar do brasileiro, que passou a ter maior acesso aos alimentos. No entanto, ao invés de frutas e verduras, há preferência pelo consumo de alimentos altamente calóricos.

Outro ponto que contribui para o quadro atual de obesidade na infância está ligado aos hábitos familiares. “A família é a fonte da alimentação da criança e, principalmente, do padrão alimentar. É a família que induz o padrão inadequado e a criança acaba aprendendo com ela”, atesta o professor. Esse comportamento ainda pode levar ao desenvolvimento de outros problemas de saúde associados à obesidade, como a hipertensão arterial e o diabetes tipo dois.

Para reverter o quadro, é recomendável, portanto, uma reeducação alimentar a ser adotada pela família e que sirva de exemplo para a criança, além do incentivo à prática de exercícios físicos. Benedito Scaranci também destaca a importância da amamentação nos primeiros anos de vida, que ajuda a evitar a obesidade. “Não existe mãe que não tenha condição de dar aleitamento materno. O que existe é uma pressão social para o uso de mamadeira e outros tipos de leite”, afirma. Para o pediatra, o ideal é oferecer exclusivamente o leite materno até os seis meses de vida, associando esse leite com outros alimentos apropriados até a criança completar dois anos.

Reprodução da foto: www.magraemergente.com

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Hora da refeição

Comer em pé, assistindo à televisão ou com muita pressa também contribuem para o aumento de peso. O professor do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG, Rafael Claro, lembra que o hábito de mastigar rápido não dá ao organismo a sensação de satisfação: “Se eu comer um prato de comida sem mastigar, em cinco minutos, eu tenho a impressão que ainda estou com fome e acabo comendo mais do que preciso”, diz. Além da saciedade, a mastigação moderada facilita o processo de absorção das vitaminas e nutrientes pelo organismo.

Além disso, o indivíduo não deve ficar períodos prolongados em jejum. Para Claro, caso ele não se alimente nos horários estabelecidos, são indicadas pequenas refeições durante o dia. Isso, entretanto, não deve implicar no consumo de lanches calóricos, como salgados e refrigerantes. Sobre o momento da refeição, o professor deixa dicas saudáveis: “Coma em um local tranquilo, sentado à mesa, prestando atenção no que você está fazendo. Desligue a televisão, o rádio e, de preferência, esteja acompanhado. Faça da sua refeição um momento de prazer e descanso na rotina do dia-a-dia”.

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 175 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

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