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Estudo mostra relação da obesidade e psoríase


Publicado em: Divulgação científicaExternas - 28 de outubro de 2015

Estudo determinou a prevalência de obesidade nos pacientes com psoríase e avaliou duas citocinas envolvidas nesta associação

A fim de comprovar a prevalência da obesidade em pacientes com psoríase e identificar se esta era a realidade dos atendidos em um laboratório de referência em Minas Gerais, a médica Nádia Bavoso avaliou 113 pessoas classificadas como casos e 41 classificadas como controles. Os resultados foram apresentados na dissertação de mestrado defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto da Faculdade de Medicina da UFMG.

Foto: Reprodução

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Nádia descreve a psoríase como uma doença crônica de pele, imunológica, com base genética, que se manifesta por placas vermelhas normalmente localizadas no cotovelo, joelho e coro cabeludo. Ainda segundo ela, apesar de ter encontrado o mesmo resultado da literatura, o estudo se destaca por dosar as substâncias que medem a obesidade nos pacientes com psoríase: a leptina (citocina protetora) e a adiponectina (citocina inflamatória). “Na literatura íamos encontrar nos pacientes com psoríase a leptina mais alta e a adiponectina mais baixa. Foi isso que encontramos, mas somente com os obesos”, conta. Ela também diz que um dos objetivos é, através dos resultados, saber se essas citocinas são responsáveis pela piora ou melhora da psoríase na obesidade.

Dados

Para este estudo caso-controle foi feita uma avaliação clínica da gravidade da psoríase, aplicado um questionário sobre qualidade de vida e um formulário sobre história clínica para todos os pacientes, além de ter coletado o sangue para dosagem de citocinas. Na classificação, os pacientes foram divididos em grupos com excesso de peso (IMC maior ou igual a 25) e sem excesso de peso (IMC menor que 25).

Na comparação entre as pessoas com excesso de peso, os casos de psoríase apresentaram valor menor da citocina inflamatória do que os controles. Além disso, nos casos, os pacientes com excesso de peso tiveram dosagem maior da citocina protetora que os sem excesso. “Parece, portanto, haver uma relação entre adiponectina e psoríase, porém essa relação é dependente da presença de obesidade”, afirma a médica.

Ela também destaca que obesidade foi bem mais presente na população com psoríase do que na de controle. E enquanto na população geral há 17,4% de obesos no Brasil, ela encontrou 33% nos pacientes com psoríase.

Consequências

Para Nádia, um dos resultados mais importantes do trabalho foi contribuir para reafirmar que a psoríase é uma doença sistêmica. “Há uma importância muito grande deste trabalho porque, até pouco tempo atrás, a psoríase era uma doença considerada de pele. Então, por mais grave que fosse não se sabia que podia trazer mais mal para o paciente”, explica. De acordo com ela, há cerca de dez anos, a partir dos vários estudos que foram realizados, descobriram que a psoríase esta relacionada com vários problemas como obesidade, diabetes, hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio, trombose, entre outras. “Hoje, quando atendo um paciente com psoríase grave não posso simplesmente receitar uma pomada. É preciso investigar o colesterol, pressão e histórico familiar de infarto. Então, o tratamento mudou”, continua.

Ela ainda pontua que as citocinas relacionam a obesidade com a psoríase por meio da inflamação sistêmica e, a partir do momento que se conhecer bem isso, será possível desenvolver remédios direcionados para essas substâncias. Dessa forma, de acordo com Nádia, o trabalho pode ajudar no tratamento da doença com o surgimento de possibilidades de invenção com uma nova droga e, principalmente, na disseminação do conhecimento da psoríase. “Há muitas pessoas com psoríase, por isso ela não pode continuar desconhecida”, ressalta.

Título: Psoríase e obesidade: associação mútua?
Nível: Mestrado
Autora: Nádia Couto Bavoso
Orientador: Maria Marta Sarquis Soares
Coorientador: Jackson Machado Pinto
Programa: Saúde do Adulto
Defesa: 6 de agosto de 2014

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