Programa de rádio desta semana ainda destaca questões referentes à pesquisa e ao armazenamento dessas células.

Os glóbulos brancos, ou leucócitos, presentes no sangue têm a importante função de combater e eliminar corpos estranhos ao organismo. No entanto, quando são produzidos em ritmo reduzido ou acelerado, por conta de uma alteração genética, o indivíduo pode ser diagnosticado com leucemia. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a cada ano são registrados mais de 250 mil novos casos da doença em escala global. A terapia com células-tronco surge, então, como uma alternativa para a cura desses quadros.

São duas as possíveis formas de aplicação da terapia celular no tratamento da leucemia. Uma delas é o transplante autólogo, no qual as células utilizadas vêm do próprio paciente, através do armazenamento de sangue do seu cordão umbilical, por exemplo. Já no transplante heterólogo, as células são provenientes de outro indivíduo, por meio de doações.

Crédito: envolverde.com.br

O obstetra e professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG, Antônio Cabral, aponta que a terapia celular apresenta metodologia e resultados semelhantes aos do transplante de medula óssea. “Você praticamente esteriliza toda a medula óssea de um indivíduo doente e coloca uma nova, que vai se desenvolver, multiplicar, e colonizar a área disponível para a medula. E esse processo pode ser feito tanto por um transplante de medula óssea como pela transfusão de células-tronco“, explica.

O professor também esclarece que embora os resultados possam ser equivalentes, o processo de se obter, armazenar e conduzir as células-tronco presentes no sangue do cordão umbilical é mais tranquilo do que as doações de medula. “Quando vamos coletar a medula óssea de um doador para outro, temos que fazer a pulsão e, normalmente, não há grandes problemas. Mas você tem um processo muito mais complexo do que a obtenção do sangue do cordão, que não envolve nenhum incômodo”, declara.

Ainda há a questão relacionada à disponibilidade das células. Segundo Cabral, estima-se que no Brasil ocorram de 2,5 a 3 milhões de partos por ano, sendo que cerca de 90% deles ocorrem em hospitais. “Teríamos potencial de obter milhões de doações de sangue do cordão anualmente”.

Mas ainda é preciso ter paciência quanto às previsões de aplicação das células-tronco em algumas terapias, já que geralmente há uma discrepância entre a expectativa e o ritmo real da ciência. “Quando se falou de célula-tronco para pesquisas clínicas, imediatamente acreditou-se que essa terapia daria um resultado muito mais rápido do que nós temos visto. O processo é lento, vamos gastar algumas décadas para o uso total dessas células”, afirma o professor.

Tema da semana

Na série Armazenamento de Células-Tronco, especialistas discutem os avanços da pesquisa na área, o uso das células para o tratamento de doenças e o armazenamento de sangue do cordão umbilical, entre outros assuntos. Confira a programação:

Cenário atual de pesquisa – segunda-feira (27/05/2013)

Medicina Regenerativa – terça-feira (28/05/2013)

Armazenamento de sangue do cordão umbilical – quarta-feira (29/05/2013)

Leucemia e células-tronco – quinta-feira (30/05/2013)

Bancos públicos de tecidos e sangue – sexta-feira (31/05/2013)

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. De segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h03, ouça o programa na rádio UFMG Educativa, 104,5 fm. Ele ainda é veiculado em 29 emissoras de rádio em Minas Gerais. Também é possível conferir as edições pelo site do Saúde com Ciência.

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