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O agressor está ao lado: saiba o que é um relacionamento abusivo

Possessividade, ciúmes exagerados, controle sobre o parceiro e violências psicológicas são algumas características de um relacionamento abusivo.


    07 de março de 2019


    Reconhecer que se está em um relacionamento abusivo é o primeiro passo para evitar danos psicológicos e físicos

    Nathalia Braz*

    Imagem: Carol Morena

    Possessividade, ciúmes exagerados, controle sobre o parceiro e violências psicológicas são algumas características de um relacionamento abusivo. Segundo a ONU, três a cada cinco mulheres já foram vítimas de relacionamentos abusivos.

    Esse tipo de abuso nas relações não acontece somente em relações amorosas, pode ocorrer também em relações familiares, como mãe e filho, ou até em amizades. O importante é que a pessoa reconheça que está sofrendo abusos, principalmente psicológicos, e procure ajuda de profissionais o mais rápido possível. O psicólogo, psicanalista e professor do Mestrado Profissional em Promoção de Saúde e Prevenção da Violência da UFMG, Paulo Ceccarelli, explica o conceito e algumas características do relacionamento abusivo.

    Muitas mulheres não reconhecem que estão em um relacionamento abusivo. Acham que esse tipo de abuso por parte do parceiro é normal devido aos costumes enraizados na cultura de uma sociedade machista. Além da violência psicológica, alguns relacionamentos abusivos podem apresentar também a física, a verbal e até sexual.

    O ciclo da violência é muito comum nesses relacionamentos abusivos e prende a mulher dentro da relação. A professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG e coordenadora do Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual do Hospital das Clínicas, Sara Paiva, explica sobre esse ciclo da violência:

    Somente a mulher pode sair desse ciclo e procurar ajuda. Mas, se ela não termina com essa relação ou não faz a denúncia, as pessoas que estão ao seu redor também podem ajudar. Família, amigos, colegas de trabalho, qualquer pessoa que veja algum indício de uma relação abusiva deve tentar conversar com a vítima e convencê-la a sair desse ciclo, procurar ajuda, e, se necessário, fazer uma denúncia. Em casos de violência psicológica, é importante que a mulher busque terapia e ajuda médica especializada. Já em casos de violência física, a professora Sara Paiva explica e ressalta a importância da denúncia:

    A quantidade de mulheres que não denunciam é preocupante. Em pesquisa realizada pelo Datafolha, somente 11% das mulheres que sofreram algum tipo de violência procuraram uma delegacia da mulher, 13% procuraram ajuda da família e 52% continuaram caladas. O psicanalista Paulo Ceccarelli explica o porquê dessas mulheres não denunciarem:

    O projeto de extensão da Faculdade de Medicina da UFMG “Para Elas – por elas, por eles, por nós”, que funciona juntamente com o Ambulatório de Práticas de Promoção de Saúde da Mulher em Situação de Violência e Vulnerabilidade do Hospital das Clínicas da UFMG acolhe mulheres, homens e crianças em situações de vulnerabilidade. Sara Paiva é coordenadora do Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual do Hospital das Clínicas e explica como funciona o acolhimento:

    O atendimento é gratuito e realizado todas as sextas-feiras, das 8h às 12h, no quarto andar do Instituto Jenny de Andrade Faria.

    Aspas Sonoras

    As “Aspas Sonoras”, produção do Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG, ampliam a discussão sobre os temas abordados nas séries de rádio realizadas pelo Saúde com Ciência. As matérias apresentam áudios e textos inéditos do material apurado na produção das séries.

    *Nathalia Braz – estagiária de jornalismo

    Edição: Maria Dulce Miranda