Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Acordo permite colaboração da Faculdade de Medicina a Benin, país africano com alto índice de casos dessa grave doença genética

Especialistas da Medicina da UFMG e Benin se encontram no Nupad

Técnicas de diagnóstico e tratamento de doença falciforme vão, mais uma vez, ultrapassar os muros da Faculdade de Medicina da UFMG e alcançar uma das localidades com um dos mais altos índices da enfermidade no mundo.

Neste mês de fevereiro, depois de uma série de visitas e negociações, o Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad) assinou sua participação no programa do Ministério das Relações Exteriores, que, por meio da Agência Brasileira de Cooperação, prevê a implementação de “Projeto Piloto em Doença Falciforme” em Benin.

O país de língua francesa, localizado na África ocidental, tem alta prevalência da Drepanocitose, como essa disfunção também é conhecida. Transmitida geneticamente, a doença é caracterizada pela deformação das hemácias, desencadeia graves crises de dor e não tem cura. Estima-se, segundo o professor José Nelio Januario, diretor do Nupad, que, na África, para cada 50 pessoas, há ao menos uma com doença falciforme. Em Minas Gerais, esse índice é de 1 para 1400.

“É uma proposta de colaboração que surgiu em 2009, desde um encontro em Benin com pesquisadores da área. A ideia é ampliar a capacidade de realização da triagem neonatal nesse país”, explica o professor, referindo-se ao conjunto de exames que, no Brasil, é popularmente conhecido como “teste do pezinho”.

Com duração prevista de um ano, o projeto será implementado na cidade de Cotonou, espécie de centro administrativo de Benin. Parte da verba de 1 milhão de dólares será destinada a compras de equipamentos para a triagem neonatal no laboratório do Centro de Atenção Médica Integrado de Lactantes e Gestantes com Drepanocitose. Ao mesmo tempo, será ampliado o banco de sangue local, junto a outras ações de hemoterapia.

O recurso também será destinado para capacitação. “Virão pessoas de Benin para aprender com o Nupad e o Hemominas, que também integra o programa. Mas também enviaremos nosso pessoal para capacitar e supervisionar as atividades no país”, afirma o professor.

Além de adquirir técnicas mais modernas e de melhor eficácia de triagem neonatal, Benin também conhecerá os tratamentos dado às pessoas diagnosticas com doença falciforme pelo Nupad.

“A condição para que aceitássemos fazer parte desse projeto e que o país não realizasse somente o diagnóstico, mas que fizesse também o acompanhamento do paciente”, explica.

Ajuda recíproca
Atualmente, apenas 0.5% das crianças com doença falciforme em Benin conseguem ser identificadas na triagem neonatal no país e, dessa forma, começar um tratamento precoce.

“Benin tem um sistema de saúde que o Brasil tinha há 40 anos. Nossa intenção é dar suporte a um país que tem muitas dificuldades nessa área”, afirma o José Nelio Januario.

Para o Nupad, o projeto também promete bons frutos. “Nós vamos colher experiência apara melhorar ainda mais o trabalho que fazemos com a doença falciforme”.

Gana
Essa não vai ser a primeira vez que o Nupad “exporta” seus conhecimentos para outro país. Acordo firmado em 2009 possibilitou ações similares em Gana, na cidade de kumasi. A proposta é que, ainda neste primeiro semestre, o projeto seja expandido no país.

Sobre a doença falciforme
A doença falciforme é uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil e afeta, principalmente, a população negra. É caracterizada pela deformação das hemácias (glóbulos vermelhos), que estão presentes no sangue.

Segundo informações do Nupad, esses glóbulos vermelhos adquirem forma de foice, se agregam e, dessa forma, dificultam a circulação do sangue nos vasos do corpo. O problema causa dor, destruição dos glóbulos, icterícia (olhos amarelos), anemia, úlcera de perna entre outros sintomas.

Saiba mais sobre a doença falciforme e o tratamento no site do Nupad.

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