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Novo calendário de vacinação: o que mudou?


Publicado em: ExternasObservaPed - 4 de fevereiro de 2016

Algumas mudanças foram necessárias para atender recomendações da Organização Mundial da Saúde

Foto: www.medicaldaily.com

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O Ministério da Saúde realizou alterações no calendário de vacinação para o ano de 2016, visando aperfeiçoar a cobertura vacinal no Brasil e atender melhor a população. Entre as mudanças, estão as alterações das vacinas infantis contra meningite e pneumonia, além da mudança no esquema vacinal da poliomielite. Além disso, a terceira dose da vacina contra o HPV não será mais necessária.

Para entender melhor o novo calendário, a infectologista e professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina, Lilian Martins Oliveira Diniz, comentou as alterações:

Poliomielite

A poliomielite é uma doença altamente contagiosa causada por três diferentes sorotipos. A mudança na prevenção dessa doença constitui na substituição da terceira dose, administrada com a vacina oral (VOP), pela vacina inativada (VIP). Segundo Lilian, a paralisia associada ao vírus contido na vacina oral (VOP) vem sendo registrada em alguns países, e por isso esse tipo de vacina, com o vírus vivo atenuado, vem sendo gradualmente substituída pela vacina injetável, com o vírus inativado (VIP).

“O risco maior da doença causada pelo vírus vacinal ocorre após as primeiras doses. Dessa forma, as mudanças no calendário vacinal estão em conformidade com as recomendações do Plano Global de Erradicação da Poliomielite, que trata da redução gradual de utilização das vacinas orais”, explica. “Até o momento, os reforços aplicados aos 15 meses e quatro anos permanecem com a vacina VOP”, continua.

HPV

O papilomavírus humano (HPV) é capaz de infectar a pele e mucosas. Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV, no entanto, os tipos 16 e 18, contemplados na vacina, são responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo uterino. Com o novo calendário de vacinação, o esquema vacinal para imunização dessa doença foi alterado de três para duas doses, que deve ser aplicada dos nove aos 13 anos de idade.

“Existem evidências de que meninas, entre nove e 14 anos, que receberam duas doses da vacina apresentem resposta semelhante a mulheres entre 15 e 25 anos que receberam três doses”, comenta a professora. “Dessa forma, a Organização Mundial da Saúde, passou a recomendar a aplicação de duas doses, e não três, em meninas com idade inferior a 15 anos”, completa.

No entanto, de acordo com Lilian, a proteção de longo prazo ainda precisa ser definida e novas pesquisas são necessárias para uma melhor definição da eficácia clínica do esquema de duas doses.

Meningite

O meningococco é atualmente a principal causa de meningite bacteriana no Brasil. Cerca de 50% dos casos notificados no país ocorrem em crianças menores de cinco anos, principalmente no primeiro ano de vida. Um aumento do número de casos atribuídos ao sorogrupo C vem sendo observado em diferentes regiões do país nos últimos anos, fazendo com que seja atualmente o principal sorogrupo causador de doença meningocócica no Brasil.

No novo calendário de vacinação, o primeiro reforço será administrado preferencialmente aos 12 meses, podendo ser feito até quatro anos em crianças que não foram vacinadas ou que estão com esquema incompleto. As duas primeiras doses continuarão sendo aplicadas aos três e cinco meses.

“O reforço, a partir dos 12 meses, tem objetivo de garantir proteção mais duradoura aos lactentes imunizados no primeiro ano de vida, podendo ser aplicada em qualquer momento, até os quatro anos de idade”, explica Lilian. “Para aquelas crianças vacinadas nos primeiros dois anos de vida, estão indicadas outras doses de reforço entre cinco e seis e aos 11 anos de idade. Doses essas não incorporadas no Calendário Nacional de Imunizações”, finaliza.

Pneumoniacalendário de vacinação - saude gov

A vacina pneumocócica conjugada protege contra as formas severas da doença pneumocócica como pneumonia, meningite e bacteremia. Anteriormente, a vacina era administrada em bebês com dois, quatro e seis meses de vida. Com o novo calendário, duas doses serão aplicadas no primeiro ano de vida, aos dois e quatro meses, com reforço preferencialmente aos 12 meses, podendo, ainda, ser aplicado até os quatro anos.

A professora esclarece a mudança: “Vários estudos observacionais apoiam o uso de três doses primárias, com ou sem reforço, ou duas doses primárias com um reforço. Esses esquemas mostraram benefícios na prevenção da pneumonia nas populações estudadas”. Dessa forma, a Organização Mundial de Saúde recomenda que a administração da vacina pneumocócica no primeiro ano de vida seja feita com o esquema de três doses ou alternativamente com o esquema de duas doses até os seis meses de vida com um reforço entre nove e 15 meses de idade.

Os postos de saúde já atuam com o novo calendário de vacinação. Outras informações sobre as mudanças estão disponíveis no Blog da Saúde.

 

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